terça-feira, 20 de outubro de 2015

Inktober 2015 - Parte III

Continuando a sequência do Inktober!

Dia 11.
Uma Sheela na gig! Sheela na gigs são figuras históricas de mulheres nuas exibindo uma vulva de tamanho exagerado. Eram esculpidas e geralmente encontradas em edificações como igrejas e castelos, sendo mais comuns na Irlanda e também na Grã-Bretanha. Acredita-se que elas afastam os espíritos do mal e oferecem proteção. Acho bastante fantástico o conceito da exibição da genitália feminina como tendo o poder de espantar espíritos malignos. Embora há quem tenha feito interpretações misóginas deste conceito, creio que se trata do reconhecimento ancestral do poder milagroso da vulva, sobre a geração da vida e consequentemente sobre a morte. Nada melhor para manter o mal afastado do que o vislumbre daquilo que é, simbolicamente, o poder criativo e devorador de todo o universo.

Foi a primeira vez que usei o nanquim com um bico de pena. Acho atraente, mas ainda não me dei muito bem com a ferramenta... talvez por não ser da melhor qualidade (tanto o bico quanto o papel que estou utilizando), talvez por falta de prática...

Dia 12.
E por falar em genitálias femininas, fui no embalo e desenhei uma Baubo dançante. Já desenhei a Baubo antes e escrevi um post sobre ela.

Dia 13.
Neste dia eu estava sem paciência pra desenhar, mas não queria deixar de fazer, então fiz um desenho baseado numa foto de uma raposinha dormindo, pra não ter que pensar muito. Estava tendo dúvidas sobre se continuaria com o Inktober... acabei continuando.

Dia 14.
Esse monstrengo foi bem divertido de fazer. Acho que desenhar monstros proporciona uma liberdade agradável ao desenhar. Também foi a primeira vez que fiz todo o desenho apenas com pincéis, sem usar canetas ou bico de pena.


Dia 15.
A imagem de um demônio ou sátiro chateado, talvez frustrado amorosamente, apenas me veio à mente. Gosto de desenhar demônios tristes, talvez gerar por eles uma empatia que não é comum se ter por esses seres.

Continuaremos nos próximos posts...

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Inktober 2015 - Parte II

Seguem mais 5 desenhos do Inktober!

Aqui comecei a alegria do marcador. Tenho um cinza da marca Tombow mas nunca tinha usado nem dado importância a ele. Achei muito gostoso de usar, pela suavidade e pelo formato de pincel, e facilita na hora de fazer umas sombras, ao invés de usar nanquim diluído. Vou ver se arranjo outros tons de cinza.


Dia 6.
Eu nunca havia desenhado uma caveira humana antes (exceto talvez em uma ou outra ocasião como um detalhe dentro de uma composição). Eu gosto de crânios de animais em geral, mas caveiras humanas me perturbam um tanto. Sempre tive um pouco de medo delas. O fato é que ao pesquisar por referências e ver fotos de crânios, comecei a ficar tão incomodada que pensei em desistir da ideia de desenhar uma caveira. Mas fui em frente, enfrentando meus medos, hehehe. E no final, acabou sendo bem divertido desenhá-la.

Enquanto desenhava, fiquei pensando muito nessa questão do por quê crânios humanos me deixam desconfortável, tentando chegar à raiz desse meu medo. Talvez pelo fato de serem ossos da mesma espécie que eu, pela natureza de um ser humano ser tão diversa da dos outros animais em alguns aspectos... Acho que é a estranheza frente à contemplação de algo que era vivo, e não é mais - algo que permanece ali, inanimado, depois que a vida vai embora. Creio que esse sentimento é a contemplação do próprio mistério da morte, e consequentemente da própria vida. Não é à toa que a caveira é o símbolo máximo da morte, e de fato era (e é) usado como objeto de meditação e memento mori em muitos contextos na história, na religiosidade, etc. É um símbolo extremamente forte e que pode significar muitas coisas - morte, perigo, sabedoria, ancestralidade, consciência da passagem do tempo, igualdade entre os seres humanos...


Dia 7.
Num tópico mais leve, nesse dia resolvi desenhar alhos e cebolas. Amo o cheiro.

Dia 8.
Neste dia tive vontade de desenhar asas.

Dia 9.
...e mais asas, de outro tipo. Não é segredo meu gosto por mariposas...
Tenho experimentado pontilhismo, e apesar de achar lindo o resultado, requer uma paciência que eu dificilmente tenho. Neste desenho foi onde mais usei, embora nem pareça tanto, mas depois disso jurei que não inventaria de fazer tanto pontilhismo em um desenho, hahaha.


Dia 10.

Me incomoda a dificuldade de digitalizar artes. O fato de meu monitor ter estragado e eu estar usando um mais simples talvez contribua para eu ficar incomodada com a forma como as cores são mostradas em minha tela. O contraste do preto diminui muito, em comparação com como é o desenho na vida real, e muitos tons mais sutis se perdem, prejudicando o aspecto geral e a fidelidade ao desenho original. Mas esse é o problema da arte digital ou digitalizada - ela é bem "subjetiva", já que cada monitor ou tela digital tem uma calibragem ou capacidades diferentes de exibição de cores, então cada pessoa vai ver seu trabalho de um jeito ligeiramente diferente. E isso me incomoda bastante! Hahaha. Além disso, a luz do scanner muitas vezes reflete onde não deveria em partes do desenho, especialmente em partes como traços de nanquim, que às vezes ficam um pouco brilhantes. Usei spray fosco sobre ele para tentar amenizar esse problema, mas mesmo assim tive que retocar digitalmente.

É isso por hora. Seguirão os posts com os desenhos do Inktober!

domingo, 11 de outubro de 2015

Inktober 2015 - Parte I

Faz um tempão que não atualizo o blog e tem tanta coisa nova pra postar que preciso escolher alguma!
Ano passado tentei fazer o Inktober, mas acabei não indo até o fim. Esse ano estou fazendo novamente e tentando me manter determinada. Ano passado eu até errei um pouco no conceito, pois o "ink" não se refere a qualquer tipo de tinta como achei que fosse (eu fiz algumas pinturas só em aquarela), então esse ano estou me concentrando em usar apenas nanquim, acompanhado às vezes de aquarela ou marcador.
Até o momento foram 10, neste post vou colocar até o 5, depois vou colocando o resto em próximas postagens.

Dia 1.

É um desafio difícil desenhar todo dia. Afinal sempre tem aqueles dias em que não estamos com a menor vontade de desenhar, ou sem inspiração, ou nada que desenhamos parece sair bom. Além disso, não consigo fazer desenhos muito simples, de forma que sempre acabo gastando um tempo fazendo detalhes que nem sempre estou com paciência de fazer - mas faço assim mesmo, pois vejo como um desafio de disciplina. Desenhar todo dia é algo que eu acredito muito que deveria fazer, algo essencial para a evolução, mas geralmente minha instabilidade *existencial* me impede disso. Por isso quero levar a sério esse desafio, hehe!

Dia 2.

Também confesso que nanquim não é meu material preferido. Gosto muito mais do grafite, se fosse um Graphitober seria bem mais fácil pra mim, hehe. Mas esse é outro aspecto do desafio. Lidar com materiais com que não temos tanta afinidade ou facilidade nos força a aprender e buscar soluções. Com tudo isso, produzo alguns desenhos que não faria normalmente.
Dia 3.

Todos os desenhos são pequenos, no máximo um tamanho A5, às vezes menores. Tento colocar no papel algumas ideias que podem me servir de inspiração para desenhos mais elaborados mais tarde, e também ir praticando o traço em geral.
Em quase todos os desenhos eu faço algo que acho que não fica muito bom e eu penso "bom, da próxima vez já sei como não fazer", ou, "agora já sei qual aspecto preciso melhorar".

Dia 4.

Em alguns dias eu realmente sofro pra conseguir desenhar. Teve dia em que eu joguei uns 2 desenhos fora antes de conseguir fazer um que me deixasse satisfeita. Dá vontade de desistir e deixar de fazer naquele dia, mas meu perfeccionismo não me deixaria interromper a linearidade do desafio e pular um dia, nem mesmo fazendo 2 no dia seguinte, hehe! Então insisto e no final até acaba saindo algo inesperado. Mas meu processo criativo é quase sempre acompanhado por muitas crises e existencialismo. Tudo que acontece enquanto eu desenho me leva a reflexões sobre a arte, a vida, a criatividade, auto conhecimento. Não consigo fazer nada de forma despreocupada, tudo é muita matéria para pensamento.
Dia 5.

Acho que o símbolo de Capricórnio resume bem a forma dificultosa e introspectiva com que eu lido com a criatividade e a criação, hehe. Porém, sempre em frente!

Continuarei postando os próximos desenhos em breve! =)
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