sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Meu primeiro livro

Quando eu era criança eu gostava de fazer livrinhos dobrando páginas sulfite e grampeando. Eram sempre sobre os animais que eu gostava no momento: tem um sobre um jardim de beija-flores de todas as cores, outro sobre uma família de garças, outro sobre um passarinho vermelho, uns com dinossauros... mas este sobre um gatinho que queria um dono tem escrito no verso "1º livro". Não sei se é o primeiro que eu fiz mesmo, ou se só o considerei o primeiro "oficial". Ele é de 93, então eu tinha 7 anos quando fiz.

Lembro que colocaram ele em exposição num mural da minha escolinha, perto da recepção, e eu fiquei meio ofendida porque sentia que eles estavam tomando algum crédito por aquilo - "vejam como produzimos alunos capazes e criativos!" - mas o mérito era inteiramente meu, a escola não tinha nada a ver com isso. Aliás, sempre detestei escolas.

Então, vamos lá.

 



Bom, atualmente dizem que o mais politicamente correto é chamar de "tutor" ou "guardião", porque animais não são objetos para se possuir ou ser "dono", etc... De qualquer forma, o título é verdade, né, porque gatos soltos na rua vivem muito menos e estão sujeitos a doenças, acidentes e maus tratos.


Deu na telha.


Um senhor distinto que anda de um jeito meio duro... mas pelo menos tem todos os dedos da mão.
O ratinho amarelo age como uma sombra ou quem sabe um alter ego do gato, mimetizando todas as suas ações, mas nem é mencionado...


Eu era bem direta nas minhas descrições. Dizia o que estava acontecendo, sem firulas. Devia ser meu Mercúrio em Capricórnio.
E acho que eu quis dizer "assobia", ao invés de canta, porque minha intenção era fazer o gato (e o rato) assobiarem pra disfarçar e tal...


Que homem gatofóbico. Mas o gato e seu amiguinho são insistentes!


"Melhor".


Ter animais por aí era algo muito importante pra mim porque eu gostava de animais, então o meu gato também levava isso em conta pra perceber como viver ao ar livre era melhor pra ele: ele podia fazer mais amiguinhos animais. No meu mundo coelhos viviam soltos por aí, é claro.
Nesse ponto eu já tava com preguiça de ficar desenhando cenário, nuvens, sol, etc.


Ah, sim: quase todas as minhas historinhas envolviam os personagens se apaixonando e constituindo família.
Aqui eu já tinha me cansado de colorir e fazer cenários.Queria acabar logo com isso. Sempre tive dificuldades em concluir meus projetos, aliás, acho que vários dos meus livrinhos não tinham fim, às vezes só tinham as primeiras páginas...


Sempre viviam.


Essa é a sinopse do livro (é assim que chama aquele textinho da contra capa que explica do que o livro se trata?).

Mas não caiam nessa do meu livro, pensando que realmente é melhor pra gatos viverem ao ar livre e tudo mais, viram? Adotem gatinhos, tirem eles das ruas, coloquem telas nas janelas e amem eles bastante.

Inclusive, vou aproveitar e deixar aqui um link que fala sobre os perigos da vida livre para um gato doméstico: http://www.ogatocarioca.com/2013/05/os-perigos-de-uma-vida-livre-para-um.html

8 comentários:

  1. haahaha adorei! Adorei a família heterogênea prafrentex. E adorei a atitude "Quero um dono, mas ele tem que aceitar meu alter ego tb!"
    Eu também fazia vários livrinhos quando eu era pequena, infelizmente todos foram pro beléléu :(

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    1. Acho uma pena que se jogue fora essas coisas! Eu tenho bastante coisa guardada, o chato é que a maior parte não tem data, e certamente muitas outras foram jogadas fora, muitas por mim mesma... Na hora eu achava que tavam ruins e eu podia fazer melhor, mas hoje me arrependo =(

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  2. Ai que fofo, Carol :)
    Não tinha ouvido falar do termo tutor nesse caso, só tinha visto "guardião"

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    1. Ah, eu sempre ouço tutor, mas eu particularmente não vejo problema em dizer "dono" ou "dona", sei lá... é só uma palavra, mais importante é a consciência de que o bicho não é um objeto e a forma como vc o trata do que a palavra q vc usa, né?

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  3. Que coisa mais linda! ♥ Essas 'produções artísticas' que a gente faz quando criança são sempre tão puras e verdadeiras, né? Uma lembrança maravilhosa de uma mente 'sem fronteiras'. Muito legal você ter o livrinho ainda guardado!

    Beijos,

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    1. Hahahah, eu acho legal porque eu consigo lembrar mais ou menos como era minha forma de pensar na época, meus gostos, o que me agradava, e tudo mais!
      Obrigada!! ♥

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  4. E o gato não conseguiu ter um dono, mas conseguiu uma DONA, o que é bem melhor no fim de tudo, rs... ;)

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