quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Uma coisa de cada vez

Eu costumo pensar no Tempo como um inimigo, Cronos, sempre devorando seus filhos. Sempre provocando terror e ansiedade, sempre o relógio tiquetaqueando, sempre nos obrigando a correr, aos tropeços, custe o que custar. Mas, pensando bem, Cronos foi agrilhoado e feito escravo nos nossos tempos. Obrigado a trabalhar enclausurado em relógios e folhas de calendário, encaixotando os dias dentro de quadradinhos. E nós fomos agrilhoados juntos, como burros perseguindo uma cenoura à nossa frente, que está amarrada na ponta de uma vara que está presa nas nossas próprias costas. A cenoura é sempre amanhã.

A ansiedade, sempre juntinha da melancolia. Pensar em tarefas acumuladas, atrasadas, prazos, expectativas, planos. Coração começa a acelerar, a cabeça começa a pesar, o estômago a revirar.
Estou tentando parar.
Uma. Coisa. De. Cada. Vez.
E andando somente no meu tempo, mesmo que leve muito tempo. Mesmo que frustre expectativas alheias, mesmo que tenha que abrir mão e largar fardos pelo caminho. Nada é tão importante quanto estar em paz e sorver com calma os goles da própria vida.


Aqui estão algumas fotos de naturezinhas que tirei no parque, porque coisinhas bonitas refrescam a alma:

Flor de maracujá.
Flores pequeninas que crescem na grama.
Puf.
Acho que eram do pé de maracujá, também. Parecem sininhos ou alguma peça de vestimenta de fada.
Sabiazinho.
Esse sabiá estava bebendo a água que acumulou nos veios da madeira.
Árvore que tudo vê.
Esse é meu blog e eu posso colocar fotos da minha cara.
No passeio também catei algumas coisinhas que fui encontrando pelo caminho:

Restos de um passarinho, provavelmente um sabiá, que ainda vou limpar; uma sementinha de cabelo loiro; peninha, um galhinho com bolinhas, e pedaços de musgo em cascas de árvore. A foto está escura e sem detalhes porque o dia está cinza...
E por falar em coisinhas recolhidas da natureza, eu fiz esses relicários:


Foram vendidos, mas estou sempre reunindo material e certamente ainda farei mais. =)

sábado, 5 de outubro de 2013

Sinos de Fadas e Bruxas


Terminei esse desenho e fiquei pensando que título dar a ele. Sempre dou títulos meio óbvios e queria pensar em algo diferente. Resolvi pesquisar mais sobre essas flores, jacinto-dos-campos (Hyacinthoides non-scripta), pra saber de histórias ou algum simbolismo ligado a elas. Eu só sabia que eram chamadas de sino-de-fadas, mas não conhecia as histórias muito profundamente. Acabei descobrindo algumas coisas legais, e tentei reuni-las neste post.

Traduzindo alguns de seus diversos nomes do inglês, temos: sino de fadas, dedal de fadas, dedal de dama, sino de bruxas, sinos azuis, sinos de defunto, sino de lebre, jacinto selvagem, entre outros.

É uma flor fortemente associada às fadas: diz-se que estas tocam as flores como sinos para convocar uma reunião. Elas também são muito protetoras com essas flores, amaldiçoando qualquer um que as danifique. Por isso, é considerado má sorte atravessar um campo de jacinto-dos-campos. Diz-se também que estas flores têm a propriedade de permitir que um mortal veja fadas, ou o mundo das fadas.

Mas não só às fadas ela é associada: há histórias que dizem que bruxas se transformam em lebres, para se esconder entre os jacinto-dos-campos (explicando um de seus nomes, harebell, ou sino de lebres). As flores produzem um leite branco, que seria usado pelas bruxas para produzir um unguento usado para voar e também para se transformar em lebre.

Na Idade Média, esse "leite" era usado para colar penas às flechas.

Bluebell Dawn, fotografia de Barry Wakelin.

 Se você ouvir o sino de um bluebell soar, é porque você ou alguém próximo irá logo morrer. O que talvez não seja uma mentira, já que as flores são venenosas, então se você estiver perdido num campo destas flores e se sentir desorientado e com sinos nos ouvidos, é melhor se preocupar.

Sendo associada a fadas e bruxas, essa flor tem um significado fortemente lunar. Não à toa, é associada ao pastor (ou, às vezes, caçador, rei, ou astrônomo) Endymion, na mitologia grega. Selene, a deusa da Lua, se apaixonou tanto por sua beleza, que pediu para que o fizessem dormir para sempre, para conservar sua beleza e juventude, e ia visitá-lo todas as noites. Com ele teve 50 filhas. É interessante notar neste mito a ligação entre a morte (o sono eterno) e a vida e fertilidade, associação comum em diversas mitologias. Talvez por causa da história de Endymion, diz-se que estas flores previnem pesadelos se deixadas ao lado da cama.

Diz-se também que esta flor tem a propriedade de afinar os véus entre os mundos e realidades. Da mesma forma que círculos de cogumelos (também ligados às fadas e com efeito semelhante sobre os mortais que os adentrarem), são portais para o mundo das fadas, e alerta-se sobre o perigo de se ficar perdido em um estado estranho, preso entre mundos, ao passar por campos de jacinto-dos-campos, e ter que ser retirado de lá por outra pessoa. Crianças seriam especialmente mais suscetíveis ao perigo de se ficar preso entre mundos ou ser sequestrado para o mundo das fadas.

Provavelmente há muitas outras histórias e mitos ligados a estas flores. De qualquer forma, jacinto-dos-campos era uma de minhas flores preferidas, e gosto ainda mais delas agora.

Ah! E sobre o título da pintura, acabei optando pelo simples e óbvio, mesmo: Bluebells.
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