sábado, 12 de janeiro de 2013

Algiz

Estava andando no parque e avistei este galhinho na grama. Passei reto. Parei. Voltei. As formas da natureza que se comunicam conosco, não devemos ignorar.

Não entendo de runas, mas lembrei que tenho um livro a respeito delas: The Runes of Elfland, de Brian Froud e Ari Berk. Procurei a runa que correspondia ao galhinho que encontrei:



Uma runa de proteção.

Como eu disse, não entendo nada de runas, e nunca cheguei a ler este livro, só olhei as ilustrações (sou dessas!). Mas resolvi ler alguma coisa da introdução, e encontrei algo muito interessante: a origem das runas como um alfabeto feérico de galhos. Eu nunca tinha notado isso, mas se prestar atenção, as runas realmente descrevem formas de galhos e troncos de árvores. E nas formas naturais elas ainda podem ser vistas, e por isso são um alfabeto vivo, que pode ser lido nas paisagens, que conta histórias. Como diz o autor: árvores não são apenas árvores, mas também são criaturas, imagens, símbolos, formas, sons, e até deuses. Os sons de seus nomes, a forma de suas folhas e galhos, são todos evocações, fragmentos de uma linguagem secreta das fadas que ainda pode ser aprendida.

E essa linguagem pode se manifestar de diversas formas. Suas histórias podem ser contadas através de formas, desenhos, pinturas, sinais com as mãos, com galhos, com o próprio corpo. Cada runa não é apenas uma letra abstrata, como se tornou o nosso alfabeto atual; ela pode ter um som, mas ela também conta uma história, revela um aspecto do mundo mítico, nomes secretos.

Vou transcrever aqui, adaptada e um pouco resumidamente, o que o livro fala sobre esta runa.

Ilustração de Brian Froud para esta runa.
A história contada a respeito desta runa é apenas um fragmento, e fala sobre uma garota que foi em busca da espada de seu pai. Ele já estava em sua sepultura há muito tempo e seus ossos já estavam limpos e brilhavam na luz telúrica, e sua espada estava lá com ele, fria e aguardando. Ele fora amado pelo seu povo e por sua filha, mas agora o lugar estava sob ataques inimigos, em sua ausência, inimigos de além do mar atacando a terra desprotegida, que foi tomada pelas chamas. Foi por isso que ela foi até lá.

Porém, a espada nunca fora forjada por homens. Mesmo no tempo do pai do pai de seu pai, aquela espada já era antiga, vinda do interior das colinas, forjada por mãos belas no abismo do tempo.

Então ela foi até o pântano, onde estranhas luzes se moviam sobre as águas e troncos de árvores polidos despontavam do chão como ossos. Seguindo as luzes, ela chegou ao túmulo e viu que os mortos estavam esperando por ela. A espada era dela, eles disseram, mas ela precisaria saber como manejá-la. Ela iria salvar sua terra, eles disseram, se a espada fosse erguida corretamente. As vozes lhe contaram um grande segredo: Esta espada nunca deverá ser erguida com raiva e nunca deverá atingir um adversário. Nesse dia, a espada irá se quebrar e afundar novamente na terra. Esta arma deve ser erguida alto, sustentada em silêncio sob bênçãos ancestrais.

E assim foi feito.
Ela voltou à sua terra e fez como haviam dito. E os exércitos viram a espada dos Elfos erguida e ouviram-na começar a cantar. E seus inimigos se afastaram em silêncio e as chamas se apagaram, pois quem pode se opor à vontade dos Elfos quando ela é erguida pelas mãos de uma garota astuta? Assim, a espada encontrou sua guardiã. Ela emprestava-a para homens que juravam manter a terra em paz, mas sempre a espada cairia de volta à terra e encontraria o caminho de volta para as mãos da garota. E ela deixou a espada para sua filha, e a filha de sua filha. E até hoje, se você quiser aprender o segredo da espada (pois ela tem sido avessa a emprestá-la, ultimamente), você deve procurar a Mulher do Pântano - apesar de você poder conhecê-la por outro nome - e prometer não usá-la.
Esta runa é um emblema de amparo ancestral e solidariedade feérica, e ela se ergue das águas toda vez que uma guerra pode ser vencida sem que uma guerra seja travada. Ela conta um segredo raro e irônico: a defesa pode surgir não por erguer a espada, mas por deixá-la quieta.
Há muitas espadas feéricas. Mas lembre-se que, tradicionalmente, é a bainha que possui a maior parte da mágica. Frequentemente, o real perigo só surge quando o portador desembainha a espada movido pela agressividade, ou quando a bainha é perdida ou esquecida - naqueles tempos em que esquecemos de colocar nossa raiva de lado.
A verdadeira proteção reside nos silêncios, quando uma palavra dura não é falada. Diga a palavra "paz" à guardiã desta runa em qualquer língua e ela colocará a espada Élfica aos seus pés, um sinal de que o valor pode estar oculto na calmaria; ali, nós encontramos um recinto sagrado, um lugar seguro no intermeio das ações, uma ilha no mar. Avalon.

11 comentários:

  1. A verdadeira sabedoria não está em saber quando é preciso matar um inimigo, mas quando poupá-lo, disse Gandalf. Ou algo assim...

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  2. Que imagens lindas! E o texto lembra muito a história contada em As Brumas de Avalon.

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  3. JH, pensei exatamente o mesmo. Ainda mais porque estou relendo e estava exatamente no ponto em que a Excalibur estava sendo entregue ao Artur! o.O

    Muito bonito texto, fada Carol. =)

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  4. Seu blog é muito bonito e seu trabalho é realmente lindo. Parabéns.

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  5. Nossa, que história sensacional e mágica! Adorei o livro também. Gostaria muito de ter um desses para compreender melhor cada runa e sua história. Gostei das ilustrações do livro também :D

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    1. Ah, eu coleciono livros do Brian Froud, ele é um artista fantástico e cheio de magia! Recomendo qualquer livro dele =)

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  6. NOSSA Q MUITO LEGAL *_*
    ahco que eu faria um colar com ele XD

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  7. Sua arte é linda...ando trabalhando para fazer algo assim, mas ainda tenho muito chão....
    Adorei a runa que voce "achou"....tb procuro estar atenta aos recados da natureza...
    Parabéns!!! Vc é iluminada!!!

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