quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Apeirofobia


Desenho no sketchbook e cores digitais. Acho que mais tarde vou fazer uma versão definitiva.
Eu ando com uma crise existencial que envolve imaginar o universo todo, desde seu nascimento até sua morte e posterior renascimento (que é o que eu acredito que ocorre), e tentar imaginar o que é que tem do lado de fora dessa "bolha" descomunal que é o universo, que encolhe e expande. E por que ele existe. E o que é não existir. E o que é estar preso dentro desta existência. E que não dá pra não existir, uma vez que você existe, e aí me bate um medo da eternidade, de nunca conseguir fugir da existência, uma megalofobia, uma apeirofobia, um medo da imensidão de algo que eu não posso abarcar - e mesmo assim tenho que abarcar, porque me parece que nunca vou deixar de existir, e não só isso, eu existo desde sempre como todo o universo, nascendo e morrendo e se transformando repetidamente.

Penso essas coisas à noite, em silêncio, no escuro, antes de dormir, que é quando aparecem sempre os pensamentos mais aterrorizantes e é quando estamos verdadeiramente sozinhos, e prestes a lançar nossa consciência na escuridão. E nesse momento eu também abarco toda a humanidade e sua história na minha mente, e a transformo num grão infinitesimal dentro dessa imensidão eterna, e não entendo mais por que é que estamos aqui e por que é que temos que fazer o que temos que fazer, e nos preocupar com as coisas com as quais nos preocupamos, e qual o valor do sofrimento ou de diminuir o sofrimento do mundo, que em meros milhões de anos serão como nada. E aquele futuro, daqui milhões de anos, já existe agora, porque o tempo nada mais é que o caminhar da nossa consciência na sucessão de diferentes estados do universo, quadro a quadro, e tudo existe ao mesmo tempo, e estamos aqui e ao mesmo tempo não estamos, então por que estamos? E deve haver uma resposta pra tudo, porque essa agonia de existir não deve ser a verdade última da existência e do universo, porque senão o universo inteiro é apenas uma agonia sem fim e isso não posso aceitar, e o universo não seria tão cruel de inventar a sede e não inventar a água para matá-la, então eu espero que tenha um alívio no fim de tudo.

sábado, 8 de setembro de 2012

Vida & Ossos

Terminado!
Caramba, o difícil é fazer com que as cores do scan fiquem minimamente parecidas com as cores do original no papel. Ajustei o quanto pude, mas ainda tem algumas diferenças.


     Os lobos saudáveis e as mulheres saudáveis têm certas características psíquicas em comum: percepção aguçada, espírito brincalhão e uma elevada capacidade para a devoção. Os lobos e as mulheres são gregários por natureza, curiosos, dotados de grande resistência e força. São profundamente intuitivos e têm grande preocupação para com seus filhotes, seu parceiro e sua matilha. Tem experiência em se adaptar a circunstâncias em constante mutação. Têm uma determinação feroz e extrema coragem.
     No entanto, as duas espécies foram perseguidas e acossadas, sendo-lhes falsamente atribuído o fato de serem trapaceiros e vorazes, excessivamente agressivos e de terem menor valor do que seus detratores. Foram alvo daqueles que prefeririam arrasar as matas virgens bem como os arredores selvagens da psique, erradicando o que fosse instintivo, sem deixar que dele restasse nenhum sinal. A atividade predatória contra os lobos e contra as mulheres por parte daqueles que não os compreendem é de uma semelhança surpreendente.
 (Clarissa Pinkola Estés - Mulheres que Correm com os Lobos)

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Don't think

Tava morrendo de vontade de pintar com aquarela, e por acaso achei um bloco de papel pra aquarela fechadinho que eu tinha esquecido que tinha comprado. Comecei a fazer esse desenho:



Eu tô querendo fazer desenhos mais despreocupadamente, sem pensar muito em planejamento, em regras, etapas, exatidões, e simplesmente me divertir seguindo meus caprichos. Percebi que ao longo do tempo eu fui me impondo muitas limitações de como um desenho deve ser feito, que regras e técnicas devem ser seguidas, qual o jeito "certo" de fazer um desenho, e isso foi tirando meu prazer de simplesmente desenhar, sem compromisso, apenas colocando a mim mesma no desenho. Eu vejo muitas artes por aí que contém "imperfeições", mas são de tal forma naturais que você apenas compreende aquilo como uma característica da espontaneidade e naturalidade do artista, que apenas adiciona à beleza da arte. Claro, é diferente de uma arte sem estudo, desleixada (tipo o Rob Liefeld, que é ruim mesmo), mas a liberdade da arte permite algumas imprecisões anatômicas, por exemplo, ou o não-seguimento de etapas específicas.

Então eu resolvi ir fazendo o desenho sem me preocupar com linhas imprecisas, com a sujeira do grafite, sem neuroses.


Começando a pintar com a aquarela. De início eu pensei em deixar as linhas em grafite mesmo, e sem nem apagar as linhas "fora do lugar", mas comecei a sentir falta do contraste de linhas escuras mais definidas, então parei com a pintura e comecei a passar a caneta nanquim.


...o que faz, automaticamente, com que as cores percam profundidade, então eu vou ainda reforçá-las depois.

E assim vou construindo o desenho. Desordenadamente. Anarquia. Fuck the police.
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