quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Asas


Asinhaaass!
As verdinhas, de cima, são de sanhaço. As branquinhas são de periquito, e as de baixo são de pardal.

As pessoas sempre me perguntam como faço pra secar e conservar as asinhas. Não tem muito segredo. Primeiro, o passarinho tem que estar ainda fresco, sem ter começado ainda a se decompor. Se estiver com bichos ou cheiro ruim, já não dá mais pra pegar as asinhas. Eu corto elas o mais rente possível, na junta dos ossinhos, e coloco dentro de uma caixinha cheia de areia de gato e sal grosso (pode ser uma coisa ou outra, também), totalmente cobertas. Essas coisas absorvem a umidade, e "mumificam" as asas. Aí é só deixar lá por umas duas semanas, e pronto! =)

O recomendado é manter as asinhas bem secas, não deixar ficarem úmidas de nenhum jeito. Eu coloquei um pedacinho de naftalina na caixinha onde guardo elas, pra prevenir o aparecimento de bichinhos que possam danificá-las.

Esse processo pode ser feito também com os pezinhos do pássaro, e também já fiz com uma cabecinha de pardal.

O trecho de hoje é do livro "O feitiço da Lua - Memórias de uma bruxa malcomportada", de Márcia Frazão.
     Enfim, teria que admitir a realidade dos órgãos não mais no plano de simples objetos que compunham minha individualidade, mas como sujeitos almados que, por razões misteriosas, compartilham comigo a existência!
     À medida que calorosamente ela me expunha suas teorias, pude compreender certas atitudes que muitas vezes lhe acarretavam o estigma de "esclerosada" e que tanto chocavam as pessoas. Quando, por exemplo, num jantar repleto de convidados, ela se recusava a comer um suculento rosbife, argumentando que naquele dia seu coração não estava para carne. Ou quando, mais uma vez surpreendendo, recusava uma longa caminhada, dizendo que isso acordaria o estômago e que, devido à ingestão excessiva de álcool na noite passada, ele precisava curtir sua ressaca. Muitas vezes a surpreendi falando bem mais baixo que de costume, e, ao interrogá-la sobre a razão, recebi como resposta o argumento de que sua bexiga tinha tido uma briga séria com um de seus rins e não dormira a noite toda.
     Realidade ou não, nunca vi minha vó tomada por qualquer doença. Até quando foi picada por uma venenosíssima cobra coral, mais uma vez surpreendeu a todos, recusando-se terminantemente a receber o soro antiofídico, argumentando que a serpente lhe havia inoculado um poder do qual ela necessitava, e que em troca alguma coisa de seu corpo lhe seria doada. Não preciso dizer o rebuliço que se instalou entre a família. Todos, atemorizados, aguardavam o seu fim. Misteriosamente os dias se passavam e vovó continuava inteira. Somente seus dentes amoleceram e um a um acabou por perdê-los. Orgulhosa, ela me contava que agora o sangue da serpente navegava no seu próprio sangue e que possuía a sabedoria das víboras.

Furry Fury

Fadinhas são livres pra deixar seus pelos crescerem em qualquer lugar do corpo que eles quiserem crescer, e elas mandam um "foda-se" para o patriarcado.

O trecho de hoje é do livro "Momo e o Senhor do Tempo", de Michael Ende.

     Há na vida um grande mistério que é tomado como se nada fosse. Todos têm parte nele, porém muito poucos são os que lhe dedicam um pensamento sequer. A maioria simplesmente o aceita, e nunca se preocupa com isso. Esse mistério é o tempo.
     Existem calendários e relógios que o medem, mas significam pouco, ou mesmo nada, porque todos nós sabemos que às vezes uma hora parece uma eternidade, ao passo que outras vezes passa como um relâmpago, dependendo do que sucede nessa hora. O tempo é a própria vida; e a vida reside no coração.

     Ninguém sabia disso melhor que os homens cinzentos. Ninguém possuía com tanta intensidade a compreensão do valor da vida contida em uma hora, um minuto ou até um segundo. Possuíam, naturalmente, a seu modo, assim como a sanguessuga "possui" a vítima da qual chupa o sangue; mas o fato é que tinham esse conceito, e manobravam seus negócios de acordo.
     Eles tinham planos para utilizar o tempo que os homens gastavam, planos de longo alcance, cuidadosamente preparados, e era essencial que ninguém percebesse suas atividades. Aos poucos, tinham conseguido estabelecer-se na vida da grande cidade e na de seus habitantes.
     Passo a passo, sem que absolutamente ninguém notasse, eles progrediam dia a dia e gradualmente iam dominando a humanidade.
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