segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Sailormun


Fiz esse desenho faz um tempinho, mas acho que não cheguei a postar aqui no blog. Como acabei de mexer nele e arrumar umas coisinhas, estou postando agora.

É a Sailor Moon!!! Eu nunca gostei do cabelo amarelo-ovo da Sailor Moon, e como ela é uma princesa/guerreira da Lua e tudo mais, acho que combina um visu meio albino, com cabelos branquinhos. E ao invés daquelas pedras vermelhas do uniforme dela, coloquei pedras-da-lua, porque, né. E fiz a roupa ligeiramente vitoriana porque sim.

Eu amava Sailor Moon. Nossa. Era uma daquelas coisas absolutamente mágicas da infância/pré-adolescência, mas cuja magia só funciona enquanto você tem aquela idade. Digo, se o desenho passasse hoje em dia e eu assistisse pela primeira vez, eu provavelmente não ficaria tão empolgada.

A gente se encanta tão facilmente com coisas simples quando somos mais novos, é como se tivéssemos um paladar super apurado e aos poucos fôssemos perdendo a capacidade de sentir os gostos. Mas no caso, é um paladar de emoções. Lembro que quando eu era criança, todas as coisas pareciam muito mais próximas, é como se eu mergulhasse nelas, em todas as coisas que eu observava. A magia borbulhava na superfície do mundo, e eu enxergava as coisas do centro do peito (do coração, na verdade, mas quando a gente fala em coração parece que ninguém nos leva muito a sério, nos acham piegas. Mas é, do coração), como se meus olhos estivessem ali e não na cabeça. Eu enxergava as coisas com o sentir. Então tudo era bem mais intenso. Lembro das sensações que eu tinha quando encontrava alguma pedrinha brilhante, ou quando via a ilustração das fadinhas da capa do livro "Fadas" de Froud & Lee, e a asa transparente da fadinha me dava uma sensação... que não dá pra explicar. Mas era como se toda coisa bonita que eu visse fosse absorvida e ressoasse lá dentro, e me iluminasse por dentro.

A gente cresce e parece que fica mais exigente, racional, anestesiado. Como diz Rubem Alves (no livro lindo que ainda estou lendo, devagarinho pra durar mais): "As crianças já nascem sabendo. Quando elas, através da educação, são transformadas em seres úteis, o Paraíso lhes é roubado: são obrigadas a esquecer do brinquedo e a viver no mundo do trabalho."


De qualquer forma, guardo esse desenho no coração pra toda a vida.
Desenhei a Sailor Moon, mas a minha preferida era a Sailor Jupiter, porque ela era alta e forte e eu queria ser igual ela.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Chifres de Cristal

Tive um sonho em que chifres começavam a crescer na minha testa. Eram feitos de cristais de quartzo, em pontas retas que se geminavam. Quando eu mexia neles, sentia que eles na verdade atravessavam meu crânio. Eu me orgulhava deles.

Enquanto eu fazia esse retrato eu constatei novamente o que já constatei milhares de outras vezes - cada vez que faço um novo desenho: sempre há um momento de frustração em que eu penso "não sei desenhar!". Eu sei que parece idiota. Mas acho que todo desenho que faço começa meio horrível, aí o desenvolvimento dele se dá através de meu esforço para fazê-lo parecer bom. Até que finalmente, com alívio, fico (razoavelmente) satisfeita.
Mas é esse o processo: não é começar uma arte bonita, sabendo o que estou fazendo; é começar algo esquisito, sem fazer muita ideia do que estou fazendo, e daí me esforçar para consertar.
Acho que preciso desenhar e praticar mais (sempre digo isso e passo meses sem desenhar), pra chegar num ponto de prática em que eu realmente saiba o que estou fazendo, porque por enquanto, cada desenho ou pintura prontos me parecem puro acidente ou milagre divino. Hahahah.

Estou lendo um livro que estou amando tanto que dá vontade de transcrever ele inteirinho pra compartilhar com as pessoas. É Variações sobre o prazer, de Rubem Alves. Cada passagem é preciosa. Eu sempre levo pra ler enquanto espero na fila do correio, e fico tendo arroubos extasiados em que minha respiração involuntariamente arqueja com a emoção de ler algo que toca minha alma, que soa tão verdadeiro. E o mais interessante é que o livro fala exatamente sobre isso... a verdade do corpo, e como o corpo reage com prazer quando reconhece uma verdade que ele já sabe.

Provavelmente eu vou transcrever alguns trechos aqui ao longo dos posts. Por hora, vou deixar esta pequena fábula que ele conta no livro.

Conta-se que, um dia, um gafanhoto encontrou-se com uma centopeia que descansava no meio da folhagem.

- Dona Centopeia, eu tenho pela senhora a maior admiração. Deus Todo-Poderoso me deu apenas seis pernas. Para a senhora ele deu cem. Assombra-me a elegância tranquila do seu andar. Todas se movem na ordem certa. Jamais vi uma centopeia tropeçar. Mas, por isso mesmo, tenho uma curiosidade: quando a senhora vai começar a andar, qual é a perna que a senhora mexe primeiro?

- Obrigada pelos elogios, senhor Gafanhoto - respondeu a Centopeia. - Sua pergunta é muito interessante porque eu mesma, até hoje, nunca pensei no assunto. Sempre andei sem pensar. Perdoe minha ignorância. Jamais fui à escola do andar certo. Não fui conscientizada. Andei sempre um andar ignorante. Mas agora vou prestar atenção...

Conta-se que, desde esse dia, a Centopeia ficou paralítica.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Apeirofobia


Desenho no sketchbook e cores digitais. Acho que mais tarde vou fazer uma versão definitiva.
Eu ando com uma crise existencial que envolve imaginar o universo todo, desde seu nascimento até sua morte e posterior renascimento (que é o que eu acredito que ocorre), e tentar imaginar o que é que tem do lado de fora dessa "bolha" descomunal que é o universo, que encolhe e expande. E por que ele existe. E o que é não existir. E o que é estar preso dentro desta existência. E que não dá pra não existir, uma vez que você existe, e aí me bate um medo da eternidade, de nunca conseguir fugir da existência, uma megalofobia, uma apeirofobia, um medo da imensidão de algo que eu não posso abarcar - e mesmo assim tenho que abarcar, porque me parece que nunca vou deixar de existir, e não só isso, eu existo desde sempre como todo o universo, nascendo e morrendo e se transformando repetidamente.

Penso essas coisas à noite, em silêncio, no escuro, antes de dormir, que é quando aparecem sempre os pensamentos mais aterrorizantes e é quando estamos verdadeiramente sozinhos, e prestes a lançar nossa consciência na escuridão. E nesse momento eu também abarco toda a humanidade e sua história na minha mente, e a transformo num grão infinitesimal dentro dessa imensidão eterna, e não entendo mais por que é que estamos aqui e por que é que temos que fazer o que temos que fazer, e nos preocupar com as coisas com as quais nos preocupamos, e qual o valor do sofrimento ou de diminuir o sofrimento do mundo, que em meros milhões de anos serão como nada. E aquele futuro, daqui milhões de anos, já existe agora, porque o tempo nada mais é que o caminhar da nossa consciência na sucessão de diferentes estados do universo, quadro a quadro, e tudo existe ao mesmo tempo, e estamos aqui e ao mesmo tempo não estamos, então por que estamos? E deve haver uma resposta pra tudo, porque essa agonia de existir não deve ser a verdade última da existência e do universo, porque senão o universo inteiro é apenas uma agonia sem fim e isso não posso aceitar, e o universo não seria tão cruel de inventar a sede e não inventar a água para matá-la, então eu espero que tenha um alívio no fim de tudo.

sábado, 8 de setembro de 2012

Vida & Ossos

Terminado!
Caramba, o difícil é fazer com que as cores do scan fiquem minimamente parecidas com as cores do original no papel. Ajustei o quanto pude, mas ainda tem algumas diferenças.


     Os lobos saudáveis e as mulheres saudáveis têm certas características psíquicas em comum: percepção aguçada, espírito brincalhão e uma elevada capacidade para a devoção. Os lobos e as mulheres são gregários por natureza, curiosos, dotados de grande resistência e força. São profundamente intuitivos e têm grande preocupação para com seus filhotes, seu parceiro e sua matilha. Tem experiência em se adaptar a circunstâncias em constante mutação. Têm uma determinação feroz e extrema coragem.
     No entanto, as duas espécies foram perseguidas e acossadas, sendo-lhes falsamente atribuído o fato de serem trapaceiros e vorazes, excessivamente agressivos e de terem menor valor do que seus detratores. Foram alvo daqueles que prefeririam arrasar as matas virgens bem como os arredores selvagens da psique, erradicando o que fosse instintivo, sem deixar que dele restasse nenhum sinal. A atividade predatória contra os lobos e contra as mulheres por parte daqueles que não os compreendem é de uma semelhança surpreendente.
 (Clarissa Pinkola Estés - Mulheres que Correm com os Lobos)

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Don't think

Tava morrendo de vontade de pintar com aquarela, e por acaso achei um bloco de papel pra aquarela fechadinho que eu tinha esquecido que tinha comprado. Comecei a fazer esse desenho:



Eu tô querendo fazer desenhos mais despreocupadamente, sem pensar muito em planejamento, em regras, etapas, exatidões, e simplesmente me divertir seguindo meus caprichos. Percebi que ao longo do tempo eu fui me impondo muitas limitações de como um desenho deve ser feito, que regras e técnicas devem ser seguidas, qual o jeito "certo" de fazer um desenho, e isso foi tirando meu prazer de simplesmente desenhar, sem compromisso, apenas colocando a mim mesma no desenho. Eu vejo muitas artes por aí que contém "imperfeições", mas são de tal forma naturais que você apenas compreende aquilo como uma característica da espontaneidade e naturalidade do artista, que apenas adiciona à beleza da arte. Claro, é diferente de uma arte sem estudo, desleixada (tipo o Rob Liefeld, que é ruim mesmo), mas a liberdade da arte permite algumas imprecisões anatômicas, por exemplo, ou o não-seguimento de etapas específicas.

Então eu resolvi ir fazendo o desenho sem me preocupar com linhas imprecisas, com a sujeira do grafite, sem neuroses.


Começando a pintar com a aquarela. De início eu pensei em deixar as linhas em grafite mesmo, e sem nem apagar as linhas "fora do lugar", mas comecei a sentir falta do contraste de linhas escuras mais definidas, então parei com a pintura e comecei a passar a caneta nanquim.


...o que faz, automaticamente, com que as cores percam profundidade, então eu vou ainda reforçá-las depois.

E assim vou construindo o desenho. Desordenadamente. Anarquia. Fuck the police.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Asas


Asinhaaass!
As verdinhas, de cima, são de sanhaço. As branquinhas são de periquito, e as de baixo são de pardal.

As pessoas sempre me perguntam como faço pra secar e conservar as asinhas. Não tem muito segredo. Primeiro, o passarinho tem que estar ainda fresco, sem ter começado ainda a se decompor. Se estiver com bichos ou cheiro ruim, já não dá mais pra pegar as asinhas. Eu corto elas o mais rente possível, na junta dos ossinhos, e coloco dentro de uma caixinha cheia de areia de gato e sal grosso (pode ser uma coisa ou outra, também), totalmente cobertas. Essas coisas absorvem a umidade, e "mumificam" as asas. Aí é só deixar lá por umas duas semanas, e pronto! =)

O recomendado é manter as asinhas bem secas, não deixar ficarem úmidas de nenhum jeito. Eu coloquei um pedacinho de naftalina na caixinha onde guardo elas, pra prevenir o aparecimento de bichinhos que possam danificá-las.

Esse processo pode ser feito também com os pezinhos do pássaro, e também já fiz com uma cabecinha de pardal.

O trecho de hoje é do livro "O feitiço da Lua - Memórias de uma bruxa malcomportada", de Márcia Frazão.
     Enfim, teria que admitir a realidade dos órgãos não mais no plano de simples objetos que compunham minha individualidade, mas como sujeitos almados que, por razões misteriosas, compartilham comigo a existência!
     À medida que calorosamente ela me expunha suas teorias, pude compreender certas atitudes que muitas vezes lhe acarretavam o estigma de "esclerosada" e que tanto chocavam as pessoas. Quando, por exemplo, num jantar repleto de convidados, ela se recusava a comer um suculento rosbife, argumentando que naquele dia seu coração não estava para carne. Ou quando, mais uma vez surpreendendo, recusava uma longa caminhada, dizendo que isso acordaria o estômago e que, devido à ingestão excessiva de álcool na noite passada, ele precisava curtir sua ressaca. Muitas vezes a surpreendi falando bem mais baixo que de costume, e, ao interrogá-la sobre a razão, recebi como resposta o argumento de que sua bexiga tinha tido uma briga séria com um de seus rins e não dormira a noite toda.
     Realidade ou não, nunca vi minha vó tomada por qualquer doença. Até quando foi picada por uma venenosíssima cobra coral, mais uma vez surpreendeu a todos, recusando-se terminantemente a receber o soro antiofídico, argumentando que a serpente lhe havia inoculado um poder do qual ela necessitava, e que em troca alguma coisa de seu corpo lhe seria doada. Não preciso dizer o rebuliço que se instalou entre a família. Todos, atemorizados, aguardavam o seu fim. Misteriosamente os dias se passavam e vovó continuava inteira. Somente seus dentes amoleceram e um a um acabou por perdê-los. Orgulhosa, ela me contava que agora o sangue da serpente navegava no seu próprio sangue e que possuía a sabedoria das víboras.

Furry Fury

Fadinhas são livres pra deixar seus pelos crescerem em qualquer lugar do corpo que eles quiserem crescer, e elas mandam um "foda-se" para o patriarcado.

O trecho de hoje é do livro "Momo e o Senhor do Tempo", de Michael Ende.

     Há na vida um grande mistério que é tomado como se nada fosse. Todos têm parte nele, porém muito poucos são os que lhe dedicam um pensamento sequer. A maioria simplesmente o aceita, e nunca se preocupa com isso. Esse mistério é o tempo.
     Existem calendários e relógios que o medem, mas significam pouco, ou mesmo nada, porque todos nós sabemos que às vezes uma hora parece uma eternidade, ao passo que outras vezes passa como um relâmpago, dependendo do que sucede nessa hora. O tempo é a própria vida; e a vida reside no coração.

     Ninguém sabia disso melhor que os homens cinzentos. Ninguém possuía com tanta intensidade a compreensão do valor da vida contida em uma hora, um minuto ou até um segundo. Possuíam, naturalmente, a seu modo, assim como a sanguessuga "possui" a vítima da qual chupa o sangue; mas o fato é que tinham esse conceito, e manobravam seus negócios de acordo.
     Eles tinham planos para utilizar o tempo que os homens gastavam, planos de longo alcance, cuidadosamente preparados, e era essencial que ninguém percebesse suas atividades. Aos poucos, tinham conseguido estabelecer-se na vida da grande cidade e na de seus habitantes.
     Passo a passo, sem que absolutamente ninguém notasse, eles progrediam dia a dia e gradualmente iam dominando a humanidade.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Demoninha e começando trechos de livros

Mais uma demoninha colorida com seu gatinho psicodélico.

Resolvi começar a fazer uma coisa aqui no blog. No final de cada post vou postar o trecho de algum livro que li ou estou lendo. Sempre que leio um livro legal, sinto vontade de compartilhar com os outros, mas sabem como é - dificilmente as outras pessoas lêem um livro que você recomenda, por mais que você insista em como ele é bom. Então transcrevendo trechinhos, além de já passar ideias legais contidas ali, quem sabe leve as pessoas a ficarem com vontade de ler o livro todo. =)


O livro que estou lendo atualmente é A Vida Secreta das Plantas, escrito em 1973 por Peter Tompkins e Christopher Bird.
Vou transcrever um trecho que fala sobre a sexualidade das plantas, do capítulo "A metamorfose das plantas", pág. 116. Não pretendia que fosse um trecho tão grande, pra começar, mas não me pareceu possível omitir nenhuma parte dele sem perder o fio da meada.

     A razão pela qual a botânica - uma disciplina potencialmente fascinante, envolvida com plantas vivas ou extintas, seus usos, classificação, anatomia, fisiologia, distribuição geográfica - se viu desde o início reduzida a uma enfadonha taxionomia, a um réquiem latino sem fim onde o progresso é medido mais pelo número de cadáveres catalogados que pelo número de flores se abrindo, é talvez o maior mistério no estudo da vida vegetal.
     (...)
     Por volta de 1583, um florentino, Andreas Caesalpinus, já classificara 1520 plantas em quinze classes, distinguidas pela semente e o fruto. A ele se seguiu o francês Joseph Pitton de Tournefort, que descreveu cerca de 8000 espécies em 22 classes, baseado principalmente na forma da corola - as pétalas coloridas da flor. Com isso o sexo entrou em cena. Embora Heródoto tivesse relatado, quase meio milênio antes de Cristo, que os babilônios distinguiam dois tipos de palmeira e salpicavam o pólen de uma na flor da outra para garantir a produção do fruto, não foi senão no fim do século XVII que se chegou à compreensão de que as plantas eram criaturas sexuadas.
     O primeiro botânico a demonstrar que as plantas floríferas têm sexo e que o pólen é necessário à fertilização e à formação da semente foi um alemão, Rudolf Jakob Camerarius, professor de medicina e diretor do jardim botânico de Tübingen, que publicou sua De sexu plantorum epistula em 1694. A ideia de que pudesse existir uma diferença sexual nas plantas causou espanto geral e a teoria de Camerarius foi acerbamente combatida pelo establishment da época. Chegou a ser considerada, com efeito, "a mais feroz e singular invenção jamais saída de uma cabeça de poeta". Uma controvérsia acalorada prolongou-se por mais uma geração até ser finalmente estabelecido que as plantas tinham órgãos sexuais e podiam por conseguinte ascender a uma esfera de criação mais alta.
     Mesmo assim, o fato de as plantas terem órgãos femininos em forma de vulva, vagina, útero e ovário, servindo precisamente às mesmas funções que na mulher, bem como órgãos masculinos distintos em forma de pênis, glande e testículos, que se destinam a espargir pelo ar bilhões de espermatozóides, logo foi encoberto pelo establishment do século XVIII com um véu quase impenetrável de nomenclatura latina que estigmatizou a vulva labiada e estilizou a vagina, chamando aquela de "estigma" e esta de "estilete". O pênis e sua glande foram igualmente desfigurados em "filete" e "antera".
   Se bem que as plantas tivessem passado incontáveis milênios no aperfeiçoamento de seus órgãos sexuais, não raro em presença de atordoadoras mudanças climáticas, e tivessem inventado os métodos mais engenhosos para se fecundarem e espalharem as sementes férteis, os estudantes de botânica, que poderiam sentir algum prazer com a sexualidade vegetal, viam-se frustrados diante de termos como "estames", para os órgãos masculinos, e "pistilos" para os femininos. Talvez fosse fascinante para as crianças aprender na escola que cada grão de milho de uma espiga é no verão um óvulo distinto, que cada fio do tugo de pêlos púbicos em torno da espiga é uma vagina individual pronta a aspirar o esperma polínico trazido pelo vento, que esse esperma pode passar serpenteando por toda a vagina estilizada a fim de impregnar cada grão da espiga e que a fecundação de cada grão numa planta resulta de uma impregnação independente em separado. À obrigação de lutar com uma nomenclatura arcaica talvez as crianças preferissem saber que cada grânulo de pólen impregna apenas um útero, o qual contém uma só semente, ou que uma cápsula de tabaco contém em média 2500 sementes, requerendo assim 2500 impregnações, as quais, num período de 24 horas, têm de ser efetuadas num espaço com menos de um décimo sexo de polegada de diâmetro. Em vez de usarem as maravilhas da natureza como um estímulo para o desabrochar das mentes de seus alunos, os professores vitorianos fizeram mau uso de passarinhos e abelhas para desnaturar a sexualidade deles.
     Mesmo agora, que universidades já traçam um paralelo entre a natureza hermafrodita das plantas, que trazem num só corpo uma vagina e um pênis, e a "antiga sabedoria" que retrata o homem como descendente de um predecessor andrógino? (...)

sábado, 28 de julho de 2012

Café & Amêndoas doces com canela

Eu nunca gostei de café. Mas sempre achei tão bonita a "cultura do café". O cheiro do café. As pessoas tomando cafés em cafés, lendo livros e sendo intelectuais e cults e alternativas. Desenhos no café. Uma sensação aconchegante em coisas relacionadas ao café.
Então eu queria tomar café! Além do mais, eu sou uma pessoa que costuma sentir sono em horas inconvenientes do dia. Tipo logo depois de acordar, ou no meio da tarde. E em algumas vezes que tomei café, vi que melhorava meu humor instantaneamente. Achei mágico.
E café tem mil benefícios (sem excessos, claro). É antioxidante, antidepressivo, neuroprotetor, previne várias doenças.
Aí eu consegui. Comecei a tomar café só pra dar aquela animada, no início tomava igual remédio, porque achava ruim. Daí comecei a gostar. Pronto, finalmente me tornei uma bebedora de café, me sinto fazendo parte de uma elite.

A menina do desenho, no caso, está bebendo um café ~mágico~.
E não, ela não gosta de depilar as pernas.

Ah, hoje eu fiz amêndoas açucaradas com canela! É algo que eu achava que tinha mil segredos pra fazer, e descobri que é super simples. Vou passar a receitinha.

Aqui fiz com amêndoas, castanhas-do-pará e pecans.
Amêndoas doces com canela

- 1 xícara de açúcar
- 3 xícaras de amêndoas (ou qualquer outra castanha)
- 1/4 xícara de água
- canela a gosto

Misture o açúcar e a água numa frigideira e adicione as amêndoas. Mantenha o fogo médio e mexa sem parar, até o açúcar começar a cristalizar. Assim que isso acontecer, tire do fogo, e deixe esfriar.
Pronto! =)

Uma vez eu não tirei a frigideira do fogo imediatamente após a cristalização, e o açúcar começou a derreter de novo, em questão de segundos. Então tomem cuidado com isso, porque aí vira uma calda que gruda tudo e vira um pé-de-moleque acidental. Até deu pra comer depois, não ficou ruim, mas não é isso que queremos, certo? =p

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Novos ACEOs

Fiz mais três ACEOs de meninas com cabelos de galáxia! Essa foto tá meio horrivelzinha, hoje o tempo estava muito fechado e a luz estava ruim. Por isso também ainda não tirei fotos individuais dos desenhos para colocar à venda, mas farei isso nos próximos dias.

Pagininha do sketchbook. Vi essa foto de passarinho com umas penas tão bonitas que deu vontade de desenhar. A frase não tem nada a ver com o desenho, é apenas algo que eu li em algum lugar - acho que num texto sobre a Vali Myers - e gostei.

Ah, coloquei na loja mais alguns colares com pingentes com desenhos meus. Fora esses, ainda tem alguns relicários e pingentes ovais. Eles são bem mais bonitinhos pessoalmente. =)


Pardal


Desenhei um pardalzinho. Pintei com aquarela.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Penas iridescentes

Iridescência é uma das coisas mais lindas da natureza! Morro de paixão por qualquer coisa iridescente. Até óleo derramado no asfalto, formando arco-íris enferrujados, eu acho bonito.

Encontrei essas penas iridescentes no parque Barigui. Não sei de que ave são, mas desconfio que sejam dos patos que vivem lá no lago, porque são as únicas aves que já vi por lá que têm penas iridescentes assim (por baixo das asas).
 

Essas abaixo eu encontrei no Jardim Botânico. Não faço ideia de a que ave pertencem.


Já fazia um tempão que eu sonhava em encontrar algumas peninhas de chupim, aqueles passarinhos pretos que andam em bando, parecendo mini-corvinhos. Eis que um dia cruzei uma pracinha perto de casa e o gramado estava repleto de peninhas deles! 


Elas são pretas com uma iridescência azulada fraquinha.


E estas últimas foi minha mãe quem trouxe pra mim, também não faço ideia de que ave sejam - talvez galo? Também tem uma iridescência leve na parte escura.


Enfim, penas com iridescência sempre ficam entre as favoritas da minha coleção. =)

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Sereia

Quando quero pintar alguma coisa mas tenho preguiça de fazer o desenho antes, procuro algum sketch velho pra colorir. É o caso dessa sereia de cores loucas aí.

terça-feira, 22 de maio de 2012

ACEOs


Dois ACEOs novos! Mas os dois já foram vendidos! hahaha
A menina que comprou o da menina com cabelo de galáxia pediu outros no estilo. Eu tava planejando mesmo fazer. Ando numa vibe galático-cósmico-nebulosa.
E a chifrudinha é da Hiléia. ♥

Sketchbook

Ando um pouco vazia de inspiração, talvez porque ande vazia de emoção. Preciso tratar logo de alimentar minha alma, neste mundo de alimento escasso.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Dodói

Nem dormir é bom quando a gente tá gripada =(

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Passarinhos, passarinhos

Sempre que descubro um passarinho que ainda não conhecia de alguma cor fantástica, penso que não deve ter nada mais lindo que aquilo. Mas aí eu descubro outro ainda mais fantástico! A natureza não tem limites em nos maravilhar. E passarinhos são simplesmente como jóias, únicas e multicoloridas.

Aqui estão alguns pássaros lindos que andei descobrindo:

Estorninho-de-dorso-violeta (Cinnyricinclus leucogaster)


 Eu nunca tinha visto nenhum pássaro com essa cor. Eu AMO pássaros com cores metálicas ou iridescentes - mas esse violeta é lindo demais! Um espetáculo esse passarinho! Mas só o macho possui essa cor, a fêmea é marronzinha. Ele é encontrado na África.

Colibri-garganta-de-fogo (Panterpe insignis)

Dentre todos os pássaros, os beija-flores são verdadeiramente pequenas jóias voadoras. Mas alguns são especialmente preciosos: este beija-flor tem todo um arco-íris na garganta! Ele é encontrado apenas nas montanhas de Costa Rica e no Panamá.

Pássaro-cetim (Ptilonorhynchus violaceus)

 O que me encantou neste pássaro não foi a cor da sua plumagem, embora o macho seja de uma linda cor negro-azulada, brilhante como cetim - mas sim, duas outras coisas: em primeiro lugar, a cor de seus olhos! São, novamente, de uma cor que eu nunca havia visto em nenhum outro pássaro, indo do azul-índigo ao violeta. Lindíssimos! E além disso, este pássaro tem um hábito bastante peculiar: ele constrói estruturas feitas de gravetos (semelhante a um ninho, mas na verdade é apenas o cenário para o acasalamento), e o decora com objetos chamativos da cor azul! E inclusive "pinta" os gravetos do caramanchão com o suco azulado de frutinhas que encontra. Também usa objetos brilhantes, conchas, penas coloridas, e até flores, que ele troca quando murcham... tudo para seduzir a fêmea.


Pomba-apunhalada (Gallicolumba luzonica)

 Esta pombinha tem, pra mim, uma aparência misteriosa e trágica. A mancha vermelha no peito faz parecer que ela foi ferida no coração... seu nome em inglês é Bleeding Heart Dove. Ela é considerada um pássaro ornamental.

Robin Cor-de-rosa (Petroica rodinogaster)

Já viram coisinha mais preciosa? Dá vontade de comer, de tão fofo. Nem preciso dizer mais nada, apenas olhem essa fofurinha!

Pronto, chega de passarinhos por hoje! =)

sexta-feira, 4 de maio de 2012

WIP


O último WIP dessa fadinha pode ser visto nesse post.
Apaguei as asinhas dela pra ficar mais fácil de mexer na pintura, mas depois elas vão voltar.

Brinquei um pouco também com um rabisco antigo que também já postei aqui antes:

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Flying Jewels

Uma coisa bonita pra compartilhar hoje. Minha mãe recebeu por e-mail e me mostrou (é, às vezes ainda mandam coisas em pps que realmente valem a pena).
A exposição "Flying Jewels" (Jóias Voadoras), de Robert Jakob e Markus Klein, de Munique, compara os padrões, formas e cores de insetos e minerais, expostos em pares. Achei o conceito maravilhoso e algo que eu nunca tinha imaginado. Confiram algumas fotos, tiradas deste flickr. Visite-o para ver mais fotos da exposição:




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