sábado, 26 de fevereiro de 2011

Meninas em verde

Faz tempo, né? Hoje decidi pegar na tablet de volta e pintar um pouco. A moça com o crânio eu comecei do nada, a moça com olhos nos peitos eu pintei por cima de um rabisco velho.

Eu tenho um sério vício nesse tom de verde. Simplesmente não consigo não usá-lo.

Se houver progresso em algum destes desenhos, postarei.

(sim, a moça do primeiro desenho se parece muito com o desenho do título do blog hahaha, só fui perceber depois que postei aqui. Acho que tenho algumas imagens inconscientes que se manifestam repetidamente sem querer)

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Pés descalços

Outro dia eu tava andando pela empresa descalça, e pensei: o mundo seria bem diferente se todos andassem de pés descalços.
Se sapatos não existissem, no mundo de hoje, as pessoas iriam se preocupar muito mais com por onde pisam. A textura do chão seria importante. Ninguém quer pisar em concreto duro e áspero. Quem sabe tivesse mais grama, bem cuidada, macia, agradável ao toque. Algo em que todos gostariam de pisar e caminhar sobre.

Teve uma pesquisa que dizia que o tato é subvalorizado. É sabido que cores, imagens e sons afetam nossas emoções e estados mentais. Um sabor agradável também. Aromas despertam sensações e memórias... Mas e o tato? Na pesquisa, descobriu-se que uma pessoa que segura um objeto duro e pesado fica mais propensa a refletir sobre decisões sérias. Uma pessoa sentada numa cadeira macia se torna mais afável e aberta às opiniões alheias numa reunião.

Estamos sempre cercados de coisas duras, frias e lisas. Ou ásperas, como o concreto, o asfalto, a calçada. Neste mundo, o que importa é ser assim, frio, objetivo. É a isso que somos induzidos, conscientemente ou não. Fizeram um bom trabalho neste quesito: cobriram as cidades de cinza, de dureza, de linhas retas. Beleza - para todos os nossos sentidos - é supérflua, é descartável, desnecessária. Ninguém precisa de beleza pra ganhar a vida, pra sobreviver, para atravessar a rotina. Não queremos distrações.

Às vezes, é preciso se afastar, para adquirir perspectiva. E quando você pisa numa grama fresquinha, e consegue ouvir os passarinhos conversando, e consegue ver o horizonte, você descobre que era apenas isto que estava faltando. Percebemos o mundo através dos sentidos, que nos causam sensações internas. A aparência das coisas não é insignificante. Nosso estado emocional e mental são afetados por tudo isso e são eles que guiam nossas ações no mundo.

Se concreto fosse mais direta e obviamente desagradável - se pisássemos nele descalços - ele já teria sido extirpado. O tato é negligenciado, mas é algo que não se pode ignorar. Podemos ignorar a sujeira visual, abstrair a poluição sonora, mas não podemos ignorar a dor de um objeto estranho cravado na sola de nossos pés.
E ninguém jogaria lixo no chão também, porque ninguém quer pisar descalço em lixo.
Todo mundo ia recolher devidamente os cocôs de seus cachorros.
Nós nos acostumamos com a falta de vida, de prazer, do som e da aparência que as coisas vivas têm. O simples prazer de estar cercado de boas sensações. Bons sons, boas cores, boas imagens, boas texturas, bons perfumes. As coisas que nos fazem sentir vivos, coisa de que já esquecemos como é - sentir-se cheio de vida. Tudo isso foi negligenciado em nossos próprios ninhos. Criamos, nada inteligentemente, ninhos de concreto. E tentamos cobrir esses ninhos duros e quadrados com alguma espécie de conforto, tornamo-os grandes e espaçosos, primamos pelo design, por objetos caros de decoração, entretenimento eletrônico.

Enquanto isso, lá fora, as boas sensações que realmente tocam nosso espírito são totalmente de graça. E tudo que fazemos é afastá-las cada vez mais.


As fotos do post são de pequenos pedaços de coisas bonitas que, pra mim, dão sensações bonitas. Todas tiradas por mim.
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