segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Dos ares aos mares

Meses depois, voltei a visitar a Ariel. Ela estava paciente, flutuando graciosamente nas águas profundas e escuras, com seus cabelos fluidos como fumaça vermelha. Neste tempo de espera ela enfeitou seus cabelos com conchas e corais.

Como todas as sereias, ela conhece as emoções e os segredos do mundo mais profundos. Ela está em contato com a origem da vida: a água, o escuro, o silêncio. As sereias habitam o próprio útero da Terra.

* * *

Encontrei um esqueleto de passarinho. Estava nos fundos do quintal de uma casa de arte e café no centro de Curitiba. Lá tinha muitas plantas, ervas, flores, árvores, e eu saí pra explorar e procurar alguma coisa interessante. Estava lá num canto, o esqueleto com os ossos limpinhos (praticamente; havia algumas penas grudadas, base de plumas amarelas e penas marrons. Isso, e a cor do bico, fez com que eu e meu amigo Toko deduzíssemos se tratar de um bem-te-vi).

Os ossinhos estavam todos lá. Peguei todos que pude. Até umas vertebrazinhas. Até o "ossinho da sorte".

Dois beija-flores, um bem-te-vi, e um osso de quero-quero até agora.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Nada importante a dizer.

Eu não vou começar este post com "oh, puxa, um ano se passou, já é 2011" porque eu detesto esses "assuntos do momento" e acho que, sabe, não tem necessidade. Por coincidência resolvi atualizar isso aqui no primeiro dia do ano, nada planejado, etc, e lá vamos nós.

Sabe, eu realmente queria postar algum desenho, rabisco, qualquer coisa. Eu queria mesmo. Mas não tenho absolutamente nada do tipo. É bem triste. Faz meses que não desenho nada e não é nem por falta de inspiração ou aqueles probleminhas típicos de artista de sempre, é falta de tempo e disposição mesmo. Trabalho fode a vida da gente, é o que eu SEMPRE digo.

Pelo menos tenho feito bastante bijuterias e isso me deixa bem feliz. Minha mesa fica em estado constante de pós-apocalipse-artesanático... Bom, pela foto nem parece tanto, mas dado que esse é também o único espaço que eu tenho pra desenhar... já era. É ou uma coisa, ou outra.

Aí eu tava correndo pra pegar o ônibus mas TIVE que parar pra arrancar de um tronco decepado de árvore um pedaço desse fungo maravilhoso e enorme. Orelha-de-pau ou sei lá. Deu tempo de pegar o ônibus, carregando esse troço. Enfiei na sacola ecológica dobrável que tinha na minha bolsa, feliz da vida.

Não me perguntem o que vou fazer com isso, nem sei onde guardar ainda.

E falando em fungos, que nasce de matéria morta e tal... quando encontrei o meu beija-florzinho mumificado, achei que nunca mais na vida encontraria outro. Como já devo ter dito, eu raramente vejo um beija-flor vivo... quanto mais morto. Pois vejam, há tantos passarinhos, e raramente vemos um morto por aí.
Pois achei mais um. Esse ainda tem peninhas verdes e azuis, iridescentes, brilhantes, lindas, uma joiazinha brilhando na grama.

Aliás, me falaram que muitos beija-flores acabam morrendo por beberem aquela água com açúcar que deixam naqueles bebedourozinhos pra beija-flor, em forma de flor, sabem? Colocam açúcar demais, ou não mantém o negócio limpo, o açúcar fermenta no bico dos bichinhos, e eles não conseguem mais se alimentar, acabam morrendo de fome ou sei lá mais o quê.
Então se você tem um desses bebedourozinhos, cuide bem. Acho que se eu tivesse um nem botaria açúcar, misturaria um pouquinho só de mel na água. Açúcar deve ser um troço do mal pra animais né? Se já é bem ruim pra humanos... (eu adoro)

(sempre quando vou falar algo envolvendo "animais" e "humanos" eu fico naquele impasse... tá, humanos também são animais, tá, deveria escrever "os animais não-humanos", mas às vezes fica forçado na frase, então fica aí o recado, blablabla.)

E falando em animais, minha gata fofa, a Luna, sempre vem deitar um pouquinho comigo na cama de manhã, quando abro a porta. Ela se enfia sempre do mesmo jeito, debaixo da coberta, deitada "de conchinha" comigo, no nichozinho do meu corpo, e fica ali ronronando e me lambendo.
A gente tava nessas, eu tava em sono profundo, sonhando que só, de repente acordo com uma dor no braço... a safada meteu uma mordida daquelas! E sem razão nenhuma. Olhei pra ela e ela tava ali, tranquila. Foi uma mordida tão bizarra que eu até tirei foto. Sei lá o que aconteceu, se ela tava sonhando que mordia um bife ou o quê... nunca levei mordida assim.

Pronto, chega de assuntinhos banais. =)
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