quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Mensagens do Limbo dos Pensamentos

Neste post eu falei sobre o Limbo dos Pensamentos. Aqueles pensamentos que você tem (ou não... não sei o quão comum é isto) quando está no espaço entre o sono e a vigília, e de repente escorregam pra dentro de um abismo e você simplesmente não lembra no que estava pensando um segundo atrás. Sem a mínima pista. Você pode até ver os últimos resquícios desaparecendo no vazio.

Pois bem. Ontem tirei uma espécie de cochilo no ônibus, aquele estado em que se está de olhos fechados, quase afundando no sono, mas ainda pensando, seguindo uma linha de pensamentos. Foi quando o buraco se abriu e os pensamentos começaram a escorregar lá pra dentro.

Mas eu segurei o rabinho da última frase! E fiquei repetindo até chegar em casa, pra não esquecer. Não faço idéia da linha de raciocínio que deu origem a ela. Mas aí está, salva do Limbo dos Pensamentos no último instante:

"Pra onde a Roda da Caveira me passou?"

...
Aliás, falando nisso... muitos anos atrás, quando eu ainda era uma infeliz estudante de colegial com profunda insatisfação com tal condição e péssimas noites de sono, eu estava dormindo na sala de aula... não dormindo: estava nesse estado, sei lá, será que é alfa? Enfim. Lá, na minha mente ou seja lá onde fosse, eu estava lendo um livro. Via as páginas amareladas abertas à minha frente, cobertas de caracteres estranhos, alienígenas. Eu lia afoita, compreendendo tudo, um senso de descoberta fantástica tomando conta de meu espírito. Lia as palavras alienígenas e compreendia seu significado. Era importante.

Uma pena tudo isso ir parar no Limbo. Mas desta vez também fui esperta: antes de despertar, quando senti que a consciência da vigília plena - pesada demais para suportar essas visões frágeis e sutis - começava a se aproximar rapidamente, agarrei-me a qualquer coisa que pudesse trazer para o lado de cá. Trouxe duas das palavras que lia - mas perdi seus significados.

Faz muitos anos, mas lembro até hoje:

COVERLUGE
e
RYUUSKIAN

...
O que, aliás, me lembra de um sonho, em que eu estava em outro universo... literalmente. Eu sabia. Sabia que estava em outro lugar, com diferentes leis, diferente natureza. Sentada no anfiteatro, assistindo ao estranho espetáculo das criaturas daquele mundo, olhei para meus joelhos dobrados à minha frente, e tentei ancorar ali a mesma consciência que tenho enquanto acordada. A mesma sensação que teria ao olhar os joelhos de meu corpo aqui, neste mundo, para tornar aquela experiência ainda mais real.

Mas não foi possível. Tão logo comecei a tentar trazer para lá meu estado mental de vigília, tudo começou a parecer desmoronar, desvanecer. Como um cristal frágil. Desisti a tempo de não deixar quebrar, e tudo voltou ao normal. Há algo de pesado demais no estado mental de vigília, e lá era muito sutil. Não poderia suportar tal brutalidade.

8 comentários:

  1. Uma vez acordei com uma palavra na cabeça, rapidamente digitei no google. Achei um único resultado para tal palavra, que por sua vez, me levou por um caminho de informações que só poderiam ser abertas por esta palavra naquele momento.
    Estas informações estavam realacionadas com o sonho que tive, que não revelo. Mas foi bem estranho.
    Tenho certeza que algo se comunicou comigo por meio deste sonho, e deste caminho louco de informações.
    Desde então, tenho dado atenção, muito mais a leituras sensoriais destas informações, que à rígidas racionalizações arbitrarias.

    Adoro este tipo de experiencia!

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  2. Engraçado esse tipo de post, eu já falei em algum post no meu site sobre uma visão que tenho, dos "duendes" que moram na mente da gente e criam lógicas e histórias enquanto estamos conscientes.

    Quando acessamos essas histórias somos tomados por sentimentos de ver lógica em coisas que não veríamos conscientemente, é estranho, mas tudo faz sentido.

    Parece que recebemos (nesse estado de consciencia) um pacote de conhecientos prévios para que aquele sonho possa seguir seu rumo lógico por mais bizarro que seja, no entanto ao acordarmos o pacote de lógica fica para trás e muito não consegue ser entendido.

    Enfim, essas estruturas oníricas cada vez mais me confirmam que nós, enquanto pessoas, não somos apenas um, somos de fato uma legião.

    A questão é saber quem está no comando, quem está na frente da barraquinha na hora da consciência.

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  3. Há cerca de 3 anos, nesse estado de sono-alerta, vi na parede, empoleirado na prateleira do meu quarto, algo que me observava atento, fitava sem parar. Era pequeno, do tamanho de uma cabeça humana, mas era mais do que uma cabeça. Parecia um pouco encolhido, mas não devia ter mais do que 40cm de altura, 40cm de uma cabeça que tinha pés, e uma aparência intrigante. Totalmente sonolento, peguei papel e lápis e escrevi o nome dele, e voltei a dormir. Acordei pouco menos de 2 horas depois, me lembrei do papel, li e é sempre interessante lembrar do ocorrido e do nome dele.

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  4. Que texto interessante, ideias e pensamentos perdidos que tentamos desesperadamente recuperar sempre me deixam confuso ao acordar. Tento, mas não consigo, mas de certa forma acho que a base do que acontece nos meus pensamentos, sonhos ou universo paralelo a que somos enviados acaba ficando gravada na nossa memória, em algum lugar, e age secretamente. Aliás, bela fadinha, tão inocente e meiga.

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  5. Além da questão do enredo no estado de vigília ser sugado para um buraco negro, achei legal tbm você ter reparado nas "construções" que às vezes escapam e vc se lembra, como essa frase da Roda da Caveira.

    Será que faz sentido? Será que é aleatório? Será que há uma lógica além de nossa pretensão de esquematizar conscientemente o mundo?

    Eu acho que é real, mas é a hora do outro mundo, de outras regras, que geralmente ignoramos ou reduzimos a mera fantasia.

    Às vezes se tornar consciente desses momentos quando eles ocorrem me dá uma pequena pane, tipo um pequeno "Satori", onde você não é nem consciência e nem inconsciência, é uma sensação deslocada e nova e engraçada... :D

    e ah, sobre o lance da memória que conversamos por alto, ainda acho que tem a ver. mas não é de modo algum a MESMA memória cronológica que temos acordados. seria qualquer coisa mais sutil e intuitiva. acho que na prática isso fica mais claro, mas vou pensar num jeito melhor de pôr em palavra. :)

    bjim!

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  6. Certa vez, num sonho, atravessava uma das avenidas principais de minha cidade. Ao parar no semáforo de um cruzamento, me deparo com uma escrivaninha onde havia um livro velho. Abri o tal livro e, na primeira página, eis o título:

    "Um novo AKUTA em KARAUMA".

    Se alguém souber interpretar ou já tiver ouvido algo a respeito dessas palavras, meu email é ebraelshaddai@gmail.com

    Abço!

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  7. Não muito tempo atrás eu estava nesse estado quando "acordei" assustada, o que eu pensava era muito interessante, mas a única coisa que me lembro é do piado de um pardal, nenhuma palavra, nenhuma frase... Só o piado do pardal... T_T

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