sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Besouro novo

Hoje meu dia estava muito chato, mas alegrou-se por um momento quando na rua encontrei essa coisinha verde adorável esmagada na calçada. Claro, não comemoro a morte horrível do bichinho, mas o fato de eu poder me tornar guardiã de seu corpinho. =)

Partes macabras: tava com as tripas de fora, tentei arrancar ali mas não deu. Levei até a padaria (escondido nas mãos pra ninguém ver e ficar com nojinho), enrolei em guardanapo, trouxe pra casa e terminei o serviço. Ainda não sei se tem que fazer algo em especial pra conservar, tirar o recheio, sei lá.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Mensagens do Limbo dos Pensamentos

Neste post eu falei sobre o Limbo dos Pensamentos. Aqueles pensamentos que você tem (ou não... não sei o quão comum é isto) quando está no espaço entre o sono e a vigília, e de repente escorregam pra dentro de um abismo e você simplesmente não lembra no que estava pensando um segundo atrás. Sem a mínima pista. Você pode até ver os últimos resquícios desaparecendo no vazio.

Pois bem. Ontem tirei uma espécie de cochilo no ônibus, aquele estado em que se está de olhos fechados, quase afundando no sono, mas ainda pensando, seguindo uma linha de pensamentos. Foi quando o buraco se abriu e os pensamentos começaram a escorregar lá pra dentro.

Mas eu segurei o rabinho da última frase! E fiquei repetindo até chegar em casa, pra não esquecer. Não faço idéia da linha de raciocínio que deu origem a ela. Mas aí está, salva do Limbo dos Pensamentos no último instante:

"Pra onde a Roda da Caveira me passou?"

...
Aliás, falando nisso... muitos anos atrás, quando eu ainda era uma infeliz estudante de colegial com profunda insatisfação com tal condição e péssimas noites de sono, eu estava dormindo na sala de aula... não dormindo: estava nesse estado, sei lá, será que é alfa? Enfim. Lá, na minha mente ou seja lá onde fosse, eu estava lendo um livro. Via as páginas amareladas abertas à minha frente, cobertas de caracteres estranhos, alienígenas. Eu lia afoita, compreendendo tudo, um senso de descoberta fantástica tomando conta de meu espírito. Lia as palavras alienígenas e compreendia seu significado. Era importante.

Uma pena tudo isso ir parar no Limbo. Mas desta vez também fui esperta: antes de despertar, quando senti que a consciência da vigília plena - pesada demais para suportar essas visões frágeis e sutis - começava a se aproximar rapidamente, agarrei-me a qualquer coisa que pudesse trazer para o lado de cá. Trouxe duas das palavras que lia - mas perdi seus significados.

Faz muitos anos, mas lembro até hoje:

COVERLUGE
e
RYUUSKIAN

...
O que, aliás, me lembra de um sonho, em que eu estava em outro universo... literalmente. Eu sabia. Sabia que estava em outro lugar, com diferentes leis, diferente natureza. Sentada no anfiteatro, assistindo ao estranho espetáculo das criaturas daquele mundo, olhei para meus joelhos dobrados à minha frente, e tentei ancorar ali a mesma consciência que tenho enquanto acordada. A mesma sensação que teria ao olhar os joelhos de meu corpo aqui, neste mundo, para tornar aquela experiência ainda mais real.

Mas não foi possível. Tão logo comecei a tentar trazer para lá meu estado mental de vigília, tudo começou a parecer desmoronar, desvanecer. Como um cristal frágil. Desisti a tempo de não deixar quebrar, e tudo voltou ao normal. Há algo de pesado demais no estado mental de vigília, e lá era muito sutil. Não poderia suportar tal brutalidade.

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