sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A Mordaça Gay

Lembram quando eu falei que queria escrever sobre outros assuntos aqui no blog? Bom, este é um daqueles momentos. E vai ser sobre política.

Tem coisas que eu vejo que dão tanta raiva que o coração dispara. Como certos textos e vídeos, e o pior, na área de comentários, muita gente "apoiando" aquilo e coisas assim.
Isso me dá uma tristeza enorme. Uma vontade de gritar que não tem por onde sair.

Bem, num fórum do qual participo, alguém postou este vídeo do pastor Silas Malafaia falando contra o PL/122 (projeto que visa criminalizar a homofobia). Ah, o polêmico projeto... e o pior: a pessoa que postou, comentou que apesar de não gostar deste senhor, admite que o vídeo é de uma "coerência total".

Eu não me aguentei e comecei a escrever uma longa resposta. Já digo, eu não sou muito boa em argumentação, nem em política, nem sou assim muito eloquente. Mas resolvi colocar minha resposta (adaptada) aqui no blog também. Só pra outras pessoas que porventura pensem em concordar com o Silas e precisem de uma ajudinha pra refletir possam, talvez, ler.

E porque eu não consigo calar a boca.

* * * * * *
Primeiro quero dizer que me sinto enojada ao ver esse vídeo, não só pelas coisas que ele diz, mas pela sua própria pessoa. Todo o gestual e modo de falar demonstra ignorância e boçalidade: se você precisa berrar e apontar o dedo pra convencer alguém de alguma coisa, tem algo errado aí.

Vamos analisar algumas coisas que ele diz.

"Se no pátio de uma igreja tiver um casal homossexual se beijando e o pastor mandar se retirar... 3 a 5 anos de cadeia."

Tá, peraí. O pastor vai mandar eles se retirarem por serem homossexuais ou por estarem se beijando no pátio da igreja? Ele agiria da mesma forma com um casal heterossexual? De que forma ele vai "mandar se retirar"? Por que um casal homossexual estaria se beijando no pátio de uma igreja? E depois, não é assim "se o pastor fizer isso, pega cadeia". O casal teria que prestar queixa, o caso seria analisado pra ver se a queixa procede, e só então alguma medida seria tomada se necessária.
O Silas cria uma situação hipotética absurda pra sustentar seus argumentos inconsistentes.

"Uma mãe descobre que a orientação de seu filho é uma babá homossexual e não quer. Quem tem mais direito de orientar filho...? (fazendo gestos frenéticos com as mãos)" etc.

Como assim "a orientação de seu filho é uma babá homossexual"? Ele quis dizer que a orientadora de seu filho é uma babá homossexual, eu imagino. E desde quando a orientação sexual de alguém "pega" na criança ou em outra pessoa? Desde quando a babá vai "ensinar" o filho da mulher a ser homossexual? E se a babá fosse judia, ou budista, o mesmo motivo poderia ser alegado? Ela poderia ser demitida apenas porque a mãe alega que não quer que seu filho tenha orientação judia ou budista? E olha que uma religião é muito mais passível de ser "ensinada" a uma criança do que uma orientação sexual.
Novamente, uma situação hipotética completamente absurda para assustar os conservadores...

"...não têm força para defender seus princípios e querem colocar no patamar da questão racial". (seguido do sarcástico "queridô...). "Ninguém nasce e escolhe sua cor" (...) "Homossexualismo é comportamental".

É. Não só no mesmo patamar da questão racial, mas também de religião, por exemplo. Discriminação religiosa é crime, certo? Mas também é uma questão comportamental. Não é genética, como a questão racial ou de sexo. E o "comportamento" homossexual não é uma opção tampouco. Ninguém "escolhe" ser homossexual.
E vamos lembrar que o termo correto é "homossexualidade" e não "homossexualismo".

Outra: o projeto não tem nada a ver com criminalizar "quem é contra a prática homossexual". O projeto de lei apenas pune condutas e discursos preconceituosos. Você não precisa aceitar ou gostar da existência da homossexualidade, não precisa achar certo ou bonito. Dentro da sua igreja, você pode dizer que é pecado, à vontade, porque sua religião e o que ela considera "pecado" ninguém de fora vai discutir. Mas você não pode discriminar, agredir, tratar mal uma pessoa por ser homossexual, assim como não pode fazê-lo só por ela ser mulher, ou por ser negra, ou por ser judia. Só isso. É muito injusto? Cadê o "privilégio" nisso?

E uma coisa que me chamou a atenção foi o modo como ele gesticula quando diz "os homossexuais querem lutar por seus direitos? É um problema desse grupo social" - fazendo um gesto de quem afasta e desdenha com as mãos. Pera lá: não, não é "um problema desse grupo social". O problema de um grupo é o problema de todos. Ou a luta das mulheres pela igualdade de direitos é uma luta apenas das mulheres? A luta dos negros pelo seu lugar e tratamento dignos na sociedade é uma luta apenas dos negros? Não. É tudo uma questão de direitos humanos, e isso diz respeito a todos nós. Se um grupo está sendo prejudicado no que diz respeito a direitos humanos, isso é responsabilidade de todos nós, não apenas do grupo em questão.

Neste ponto parei de comentar o vídeo, porque já foi ruim o suficiente vê-lo uma vez, e desisti de assistir de novo até o final para comentar cada ponto separadamente.

Quanto a questões como liberdade de expressão, liberdade religiosa e outros detalhes, sugiro a leitura deste link para maiores esclarecimentos:

http://www.naohomofobia.com.br/lei/index.php

E pra rir:
http://theoatmeal.com/comics/literally


domingo, 24 de outubro de 2010

A Pequena Sereia



Imagina se eu ia começar a pintar um desenho e ir até o fim? Nããão. Peguei outro rabisco velho e comecei a pintar também.
Essa é a Ariel, a Pequena Sereia, na minha versão - porque pra mim sereias não são meninas fofinhas com rabo de peixe, mas, citando o filme Peter Pan de 2003...

"...são criaturas sombrias, em contato com tudo que é misterioso."

Sereias vivem na água, lar de emoções profundas, abismais, na companhia de lindas criaturas coloridas e horríveis monstros abissais. E também a origem da vida como conhecemos.

Eu amava a Ariel quando era criança, e queria ser uma sereia a todo custo. Ia pra piscina e cruzava os pés pra fazer de conta que era uma cauda de sereia, e ficava feliz tentando nadar desse jeito.
Gostava do jeito que meus cabelos se comportavam debaixo da água, se mexendo daquele jeito macio.

(ainda hoje, se por acaso vou à praia,
faço de conta que sou sereia
e fico rindo sozinha brincando com as ondas,
e com as outras sereias invisíveis)


Eu confesso: eu gosto de princesas da Disney. Tenho meu lado girly. Mas a maior diversão mesmo é pegar elas e subvertê-las a uma versão menos vazia, mais repleta de mitologia.


PS: Ah, obviamente isto é um WIP. Não tá pronto. Tá?

sábado, 23 de outubro de 2010

O limbo dos pensamentos

Work-in-progress. Um desenho de 2008 que resolvi pegar e colorir nesta madrugada, porque reciclar é bom.

Aí eu queria falar sobre uma coisa que acontece comigo sempre mas é tão surreal que eu sempre esqueço, mas outra noite aconteceu e eu anotei no caderno pra não esquecer.

Você está com os olhos fechados pra dormir, e viajando nos pensamentos. Começa a pensar em algo, vai seguindo a linha de pensamento, é uma coisa lógica, normal. De repente é como se o observador na sua mente se tornasse consciente daquilo e você se afastasse subitamente daquele pensamento e ele perdesse totalmente o sentido em uma fração de segundos. Estava tudo bem até algo acontecer na sua mente, como se você desse um salto e o que estava pensando até então se tornasse bem distante, e se fragmentasse, e sumisse rapidamente, e o único pedaço que fica é algo que você não entende, até que, por mais que você faça um rápido esforço pra agarrar aquilo que está fugindo, já era. Perdeu-se num abismo esquisito, talvez lá pro fundo do seu inconsciente, e você VÊ isso acontecer bem ali na sua frente. O pensamento escorregar pra um buraco negro e você esquecer instantaneamente.

É uma sensação bem surreal. Como se você mudasse de dimensão de repente, e aquilo que fazia sentido até um segundo atrás já não faz mais, neste universo. É tão estranho que por mais que sempre acontecesse, eu nunca lembrava disso em outros momentos. O próprio momento em que isso acontece desaparece da memória. Mas quando acontece, surge aquela sensação de familiaridade, como naqueles sonhos em que você sente que já esteve naquele lugar/situação antes, em algum outro sonho que já teve. Você só lembra daquilo quando está sonhando, quando está no universo dos sonhos, aí você lembra que já esteve naquele lugar, porque está ali de novo. É a mesma coisa, esse limbo dos pensamentos. Você só se dá conta de que já aconteceu antes, quando vai parar ali na beira do abismo de novo, e vê o pensamento escorregando lá pra baixo.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Um pedaço de sinceridade

Há um tempo tenho pensado na maneira como utilizo este blog.
A ideia inicial era fazer dele apenas um blog para expor meus desenhos e ilustrações, e coisas relacionadas. Talvez um textinho ou outro, de cunho pessoal/fantasia. Porém, ultimamente tenho sentido a urgência de falar sobre outros tipos de coisas, mas que eu sentia que não tinham espaço neste blog, que deveria apenas se tratar de arte. Imaginei que as pessoas entrariam aqui para ver desenhos e não se interessariam por textos longos sobre qualquer outra coisa.

Pensei então em criar um segundo blog, apenas para escrever sobre essas coisas. Mas essa idéia me incomodava: apesar de eu me sentir "dividida" entre vários aspectos de mim mesma, tento sempre buscar a unificação. Me perturba ter que ser uma pessoa aqui, outra lá. Expor um pedaço de mim aqui, outro ali, e nunca misturar, pois os ambientes, as pessoas, os leitores, os alvos são diferentes.

Eu sempre quis, e é um trabalho constante, encontrar uma maneira de centralizar tudo o que eu sou em uma pessoa só. Não ter medo de expor pensamentos ou ações em algum lugar que pareça "inadequado", me baseando no que as pessoas esperam. Sou uma pessoa que gosta de agradar e tem necessidade de ser aceita. Mas quando existe um conflito deste tipo, entre "ser e não ser", a melhor saída é sempre a sinceridade crua. Colocar as entranhas pra fora, e pronto: estão aí, vejam, é isto que sou. Fique quem quiser, olhe quem quiser.

Às vezes não tenho novos desenhos, não estou inspirada para arte mas há outras coisas em mim querendo se manifestar e eu não permito, porque "não há lugar adequado". Então decidi designar este blog também a isto: expor outras partes de mim, da minha mente, da minha alma, sem estas travas. Não quero mais seguir este tipo de lei. Há tanto que se prende na garganta e no peito sem ter por onde sair, porque eu mesma não permito. Então que haja esta janelinha, por onde um fio possa escorrer e atingir o mundo externo. Se eu não puder ser com liberdade, não há mais nada que eu possa fazer.

sábado, 16 de outubro de 2010

The King is Dead

Gente eu achei isso aqui e de jeito nenhum que eu lembrava. Hahaha. Fiz em algum momento de insanidade RANDOM alguns anos atrás.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Uma pequena viagem

Hoje estou com vontade de colocar aqui um montão de fotos.

Como estas que tirei no parque Barigui, de um sapato que apareceu por lá, depois que o lago encheu. Entre outros lixos diversos, que é uma coisa triste de se ver. Pra mim é um tipo de doença, essa espécie de descaso das pessoas com o ambiente.

Sempre que vou lá, visito um sapinho que mora dentro de um buraco numa árvore. Eu e meu amigo achávamos que ele estava preso, e "salvamos" ele de lá uma vez. Mas no outro dia, lá estava ele de novo. Então concluímos que era mesmo a casa dele...

Também tirei essa foto do céu, com essa nuvem num formato legal, parecendo asas abertas, e se prestar atenção tem um pescoço comprido com uma cabeça de ave lá em cima.

Também tirei fotos dos meus gatinhos tomando sol perto da minha janela.

E este é mais um item de minha coleção de coisas... uma caixa cheia de folhas e flores secas, geralmente colocadas dentro de livros. Também tem outras coisinhas, tipo uma pinha, uma casca de paina (eu acho), um casulo esquisito, etc.

Este é um "esqueleto de folha" que achei no parque também. Ainda tem uns pedacinhos de folha seca grudados, e foi meio mastigado por gatos.

Aqui estão algumas penas da minha coleção. Todas elas foram encontradas por aí, algumas eu ganhei. Nenhuma foi comprada nem nada.

Essas branquinhas aqui são de cisne, que eu peguei num gramado num parque na Irlanda. Sei lá, cisnes são tão lindos e a grama tava repleta de penas tão branquinhas, que eu pulei a cerquinha e fui lá pegar. Ali atrás tem uma pena grandona de urubu que não dá pra ver, por causa da pena de avestruz que tá na frente, e que eu ganhei de uma moça que disse que meu gosto por penas tem a ver com uma ligação com a deusa Ísis.

E aqui tem um montão de penas de pavão, e uma linda de faisão, que eu ganhei do cara do aviário do Mercado Municipal. Eu não gosto do aviário, mas sempre que passo por perto eu vou lá visitar os bichinhos, mesmo eles estando em condições horríveis...

E aqui umas coisas na minha prateleira de livros.

E hoje chegou pelo correio esses crânios de pássaros, feitos pela artesã Malodora.

Ela mandou junto de presente um anel SUPER bizarro e engraçado:

Pronto, fim da viagem de hoje pelas coisas da Carol.

sábado, 9 de outubro de 2010

Igor e Luna

Igor é o sia-lata. Herdou os genes mais nobres da família, mas a pelagem de siamês é manchada de branco igual a irmãzinha. É vesguinho. Gato grande e pesado, às vezes tenta subir em algum lugar mais alto e cai de bunda no chão. Também já deu de cara no vidro algumas vezes. Caçava o próprio rabo quando era mais novo mas já parou com isso. Gosta de mamar em cobertores e blusas felpudas, por mais que a gente diga que não sai leite dali, e deixa tudo babado. Adora correr pela casa loucamente e praticar le parkour nos sofás. É meio bobo.

Luna é preta-e-branca e tem olhinhos verde-musgo. Uma das suas pupilas tem um formato diferente da outra (mas só dá pra ver isso quando as pupilas estão contraídas pela luz). É menorzinha e mais leve que o irmão. Gosta de se enfiar debaixo da coberta junto comigo antes de eu levantar de manhã, e ficar lá ronronando e me lambendo (a linguinha áspera machuca, então dou a palma da mão pra ela lamber, que dói menos). É miona, mia o tempo todo como se quisesse alguma coisa e a gente não sabe o quê. Adora olhar pela janela.

Coisas a se aprender com os gatos:

- Espreguice-se de todas as formas que imaginar.
- Tire sonecas gostosas.
- Brinque feito bobo.
- Não precise de muito pra se divertir. Aliás, se divirta com qualquer coisa.
- Tome banhos de sol.
- Demonstre seu carinho.
- Receba carinho sentindo todo o prazer do mundo.
- Entregue-se.
- Quando quiser sair do colo e não deixarem, use as garrinhas.

Edit: Esqueci de contar como eles vieram parar aqui. Esses dois gatinhos foram abandonados filhotes e encontrados por uma protetora, a Mah. Ela colocou a foto deles no orkut pra adoção. Eles ainda estavam mamando em mamadeirinha... Quando mostrei pra minha mãe perguntando se podíamos adotar um, ela disse que adotaríamos sim... os dois! Ela não quis separar os irmãozinhos. Nem preciso descrever minha felicidade, né? Agora tenho um caso de amor com esses dois bichaninhos bagunceiros.
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