quinta-feira, 6 de maio de 2010

A jornada do Patinho Feio

Eu queria muito atualizar o blog, muito mesmo. Mas faz umas semanas que não desenho nada, a não ser um sketch de uma fadinha gordinha que foi comissionada e ainda, obviamente, não está terminada.

As fadinhas gordinhas fazem sucesso!

Assuntos recorrentes dos últimos tempos: culpa, liberdade, felicidade, identidade. Como encontrar a si mesmo no turbilhão de máscaras, regras, papéis, expectativas, relacionamentos pessoais e sociais, definições, rótulos, julgamentos. Ser feliz e se enquadrar geralmente são coisas bastante distintas.

Minha amiga Jana Sooz me mandou um texto do blog Candomblé chamado "O pecado e o Candomblé".

"Chegar num estado de felicidade sem culpa, de se mostrar sem culpa é transcendental, tão transcendental quanto difícil. (...) Se livrar de amarras é um processo bem doloroso, pois nos acostumamos com tudo, até com a dor insistente e latejante. Cabe a nós querer prosseguir nesse processo de liberdade ou continuar nos martirizando com a idéia do pecado, da boa moça que tenta apagar suas idéias avessas ao restante do mundo."

Aí eu lembrei de um trecho do livro Mulheres que Correm com os Lobos que ficou carimbado na minha memória, comparando a "mulher selvagem" ao lobo:


"Portanto, em termos imagísticos — quer você seja um lobo negro, um cinzento do norte, um vermelho do sul, quer seja um branco do Ártico — você é a perfeita criatura instintiva. Embora algumas pessoas preferissem que você se comportasse e não demonstrasse alegria exagerada ao dar as boas-vindas a alguém, faça-o de qualquer jeito. Haverá quem se afaste de você com medo ou repulsa. A pessoa amada irá, porém, valorizar esse seu novo aspecto — se ele ou ela for a pessoa certa para você. Algumas pessoas não apreciarão sua atitude de dar uma cheirada em tudo para ver o que é. E, pelo amor de Deus, nada de se deitar de costas no chão com as patas para cima. Menina feia. Lobo feio. Cachorro feio. Certo? Errado. Não ligue. Divirta-se."
Quando abri o livro pra procurar esse trecho pra transcrever, caí nas páginas sobre a história do Patinho Feio.

"Embora seja útil abrir canais até mesmo para aqueles grupos aos quais não pertencemos e seja importante tentar ser gentil, é também imperioso não nos esforçarmos demais, não acreditar demais que se agirmos corretamente, se conseguirmos conter todos os impulsos e contrações da criatura selvagem, poderemos realmente passar por damas educadas, recatadas, contidas e reprimidas. É esse tipo de atitude, aquele tipo de desejo do ego de integrar-se a todo custo, que destrói o vínculo com a Mulher Selvagem na psique. E então, em vez de uma mulher vital, temos uma mulher simpática, a quem foram arrancadas as garras. Temos, então, uma mulher bem-comportada, com boas intenções, nervosa, ofegante no anseio de ser boa. Não, é melhor, mais elegante e muito mais profundo ser o que somos e como somos, deixando que os outros também o sejam."

por Milo Winter
"Se você tentou se adaptar a qualquer tipo de forma e não conseguiu, talvez você tenha muita sorte. É verdade que você pode ser um exilado de alguma espécie, mas sua alma está abrigada. Ocorre um estranho fenômeno quando a pessoa tenta se adequar e não consegue. Muito embora a criatura diferente seja rejeitada, ela ao mesmo tempo é empurrada para os braços dos seus verdadeiros companheiros psíquicos, quer se trate de uma linha de estudo, de uma forma de arte, quer de um grupo de pessoas. É pior ficar ali onde não nos sentimos bem do que vaguear perdida por um período em busca da afinidade psíquica e profunda de que precisamos. Nunca é errado ir à procura do que necessitamos. Nunca mesmo."

por Gennady Spirin

"Quando aceitamos nossa própria beleza selvagem, ela fica em perspectiva, e nós deixamos de ser incomodadas pela sua percepção, mas também não renunciaríamos a ela nem negaríamos sua existência. Uma loba sabe a beleza que tem ao saltar? Uma fêmea de felino sabe as belas formas que cria ao se sentar? Uma ave se espanta com o som que ouve ao abrir as asas? Aprendendo com elas, simplesmente agimos à nossa própria maneira e não evitamos nossa beleza natural nem nos escondemos dela. Como os animais, simplesmente somos, e isso é bom."

(Clarissa Pinkola Estés)

Se eu pudesse transcreveria o livro inteiro. Se eu pudesse, engoliria esse livro pra ele fazer parte de mim pra sempre.

9 comentários:

  1. Engraçado, tu não desenha a semanas?? Como isso?? Tu não entrou na Tech justamente pra, hum, desenhar?? hehehehe!!! Desculpe, não podia perder a piada, e realmente curti a fadinha gordinha. Elas fazem sucesso, mesmo. Elas e os sátiros!!! T+!!!

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  2. A fada gordinha ficou bacana, mas quero ver terminada =)

    Gostei muito dos trechos de textos e livros que você postou(principalmente o primeiro), mas eles eram mais focados nas mulheres, acho que esse tipo de coisa serve para todo mundo hahaha xD

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  3. Hum... por esses trechos eu diria que você leu (caso contrário eu recomendo, tenho certeza que você vai se identificar) O Lobo da Estepe, de Hermann Hesse.

    E sobre culpa e felicidade:

    "Só existem dois tipos de pessoas felizes: os tolos e os sábios. Todos os outros são infelizes."

    Provérbio hindu.

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  4. Gostei muito do post
    uma coincidência boa entrar no seu blog
    achei ele por acaso fazendo uma pesquisa sobre mariposas
    então acabei caindo nesse post que tem td a ver com o que conversei com um amigo esses dias
    e por acaso postei um comentário sobre o patinho q era cisne no blog dele rs

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  5. Gostei muito dos trechos, esse é um livro que estou enrolando pra começar a ler! Parece q nossos assuntos dos ultimos tempos estão parecidos =]

    Adoro as fadinhas gordinhas, são lindas, tão femininas e tão livres! Vc escreve sobre as personagens que cria? Eu ia gostar de ler!

    Não conhecia a Kiki, tbm achei que lembra um pouco! Outro dia fiz umas fadinhas tbm, mas são magrelinhas, hehe... logo vou colocar lá no blog!! E quanto ao tiozinho do cogumelo... bem, não sei o que dizer... rsrsr....

    =D

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  6. Que fada mais fofinha essa!! E gostei dos trechos q vc postou aí, acho q vou começar a ler esse livro também! =)
    Beijos

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  7. Oi! Conhecemo-nos no café Fingen, junto com um amigo meu! Muito legal o seu trabalho! O meu é mais versado em escrever mesmo! Um beijo e nos falamos mais depois!

    Dá uma olhada
    www.alemeireles.wordpress.com

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  8. E quem disse que você precisa mesmo se enquadrar? Por que passar uma vida inteira tentando ser o que não é?

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  9. Marcelo: é justamente meu ponto.

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