terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Passarinho, passarinho

Esses dias era noite e acabou a luz. Acendi umas velas, fiquei à toa na cama pensando no que fazer e, com tudo desligado e silencioso, peguei meu caderninho e fui rabiscando qualquer coisa.
O resultado foi um rabisco, mas que mais tarde virou um desenhinho que me satisfez. Porque acabo de descobrir que, mesmo sem inspiração, e fazendo só um rabisco bobo e sem conteúdo, mais tarde você pode pegar aquilo, olhar e continuar rabiscando em cima até formar uma idéia mais completa. Porque ela é uma sementinha.

Eu tive que tirar a foto de uma perspectiva angulosa porque tirando de cima saía blurry. Depois eu scaneio ou algo assim.

E as idéias fragmentadas, que você teve num lampejo de inspiração num longo período de seca, e rabiscou rápida e frustradamente num pedaço de papel, depois podem ser o pontapé inicial para você dar continuidade e virar uma idéia crescida e bem nutrida. Mesmo meses depois.

E eu também descobri que quando tá tudo desligado e não tem luz, computador, televisão nem nada numa quadra inteira à sua volta, de alguma forma, você consegue ouvir melhor seus pensamentos e sua paz interior.

Desenhos mais antiguinhos que tavam no caderninho e acho que nunca mostrei:

Desenhos antigos, mas que dei uma atualizada ontem à noite:

(aquele papel colado ali do lado foi pra esconder um rabisco feio de canetinha verde-limão. hahaha)

E o crânio de unicórnio acabou virando uma espécie de... chapéu, ou sei lá, pra uma moça. Novamente tive que tirar a foto dum ângulo estranho e depois quem sabe eu scaneie. Ah, sim. Todas essas fotos eu tirei à noite, por isso o amarelado e a falta de qualidade, hehe.

Minhas obsessões:
Passarinho.
Penas.
Asas.
Crânios.
Olhos negros.

Uma certa pessoa me disse, outro dia, ao descobrir que as pupilas dos meus olhos são deslocadas do centro, que meus olhos pareciam "olhos de passarinho". Foi um dos elogios mais lindos que já recebi.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Sinal das profundezas... ou da superfície?

Acho que é uma coisa desse pessoal que faz arte, ficar na superfície é ruim, muito ruim. As coisas que me interessam estão lá embaixo. E tem alguma coisa que não me deixa mergulhar. Poderia ser gelo, mas não é. Acho que é plástico. Maldita poluição dos dias de hoje!
Mas aqui, da superfície, privada das profundezas de onde vêm a inspiração, eu acho que ainda consigo fazer um buraco e pescar alguma coisa lá do fundo. Coisa pequena. Lambaris de inspiração. Aqui e ali, pra enganar a fome.
A alma vai ficando cada vez mais faminta, mas isso não pode durar muito mais tempo.

Crânio de unicórnio e um novo ACEO, feito em grafite.

(A única coisa que consegui desenhar nos últimos dias foi um crânio. Tentei pensar em coisas bonitinhas, mas foi o crânio que soou o sino. Sinal claro de que estou percorrendo um vale morto, mas crânios também falam, e têm poder. Hum, quem sabe eu deva pegar emprestado um dos crânios luminosos de Baba Yaga. Depois de cozinhar pra velha. A velha precisa comer!)
Fadinha nua, gordinha e feliz. Eu estraguei o fundo em que ela estava então recortei em volta dela, e agora ela está grudada no meu mural, sorrindo pra mim e me lembrando que ela é livre.

Meu pai havia perguntado o que eu queria de aniversário. Pensei e depois mandei pra ele uma pequena lista de livros do Brian Froud. "Adoraria ganhar qualquer um destes", eu disse. Pelo correio, chegaram todos! Quiquei de alegria. Aí estão eles, lindos:

(na minha cama desarrumada.)

O lado contrário do livro "Good Faeries" é "Bad Faeries". Fotografei duas para lhes mostrar - do lado das "más".

Anxious Annie

É a fada que senta em nossos ombros e mordisca nossas orelhas, agitada e nervosa, nos deixando mais e mais preocupados, mais e mais convencidos de que algo desastroso está prestes a acontecer. Quando estamos paralisados de tão nervosos, ou acordados às 2 da madrugada imaginando cada pequena coisa que pode dar errado, Anxious Annie está por perto. Não se pode livrar-se dela à força, pois ela é tímida mas persistente. A única defesa contra ela é fazê-la rir, o que então a faz ser bem adorável.

The Gloominous Doom

Froud diz que este é um velho amigo dele. Acho que posso dizer que é meu também. Das negras profundezas da depressão, Gloominous Doom se desespera e lamenta: "Não consigo fazer isso", ele diz, de ombros caídos, suas asas gotejando. Ele segura a esfera do pensamento claro logo atrás de si, contendo todas as suas esperanças perdidas, e vai se tornando pesado com pessimismo. "É tarde demais agora", ele suspira. "Deixei tudo pra trás."
Peça a ele para trazer aquela esfera de esperança para frente de si, que é quando ela se torna uma esfera perfeita. Entre nela, seguro e protegido pela luz da clareza - e os passos incertos e embaralhados do Gloominous Doom se transformam na a dança de Luminous Loon.
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