domingo, 25 de outubro de 2009

Polvo e seu simbolismo

Este polvo não está terminado e é uma comission pra uma moça que vai usar o desenho como estampa numa peça de roupa. Tô postando pra atualizar um pouco o blog!
Aí aproveitei e fui pesquisar sobre o simbolismo do polvo (sim, adoro simbolismos, deu pra notar). Eu sempre tive a impressão de que o polvo teria um simbolismo negativo. Mas nada, ele até é usado por marinheiros como símbolo de sorte e proteção, por toda a magia e fascinação que ele inspira, com suas aparições misteriosas e o modo como solta nanquim negro na água para causar confusão e ilusão, e escapar.

Alguns dos seus simbolismos são complexidade, variedade, diversidade, inteligência, visão, mistério e ilusão. Vocês já viram um polvo se movendo? É hipnotizante... sem falar que eles mudam de cor e de forma para se adaptar ao ambiente, de maneira absurda. É também considerado o mais inteligente animal invertebrado dos mares.

O movimento circular dos tentáculos nos remete ao símbolo e significado da espiral. Na arte da civilização minóica, em vasos e tigelas, o polvo era mostrado se desenrolando, e acredita-se que isso significava a criação e expansão do universo.

Outros significados simbólicos a que o polvo está ligado: o número Oito, defesa, estratégia, flexibilidade, adaptabilidade, imprevisibilidade. Como é um animal da água, também está ligado aos simbolismos desse elemento: a Lua, o signo de Câncer, chuva, trovão, emoção, intuição, criatividade, psique, fluidibilidade.

Enfim, há muito mais simbologias relacionadas a ele. Saber de tudo isso me fez me apaixonar por esse animal. Fascinante.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Sonho dos multiversos

Eu estava observando o céu, quando vi uma coisa luminosa se mexer.
Isso nunca é um bom sinal, nos sonhos. Geralmente significa uma aparição alienígena desagradável e indutora de pânico.
Mas nesse caso, eu pude verificar em pouco tempo, era só um balão.
"Balões são proibidos", eu pensei. E além de tudo, não era um balão comum. Era na verdade um móbile composto de várias velas vermelhas, que queimavam um fogo também vermelho. As linhas que as ligavam formavam uma figura que lembrava um pouco a árvore da Cabala.

Qual não foi minha indignação ao saber que quem havia soltado aquele perigo flutuante fora minha mãe!
Mas ela, irritada, me mandou não encher o saco, enquanto imagens de uma suposta seita mística, que tinha ligação com aquele ato dela, iam aparecendo na parede.

Lembro de, no sonho, tentar reproduzir esses símbolos num papel pra não esquecer. Os cílios dos olhos eram sempre pro mesmo lado. E havia essa espécie de cruz com pontinhos, mas era algo mais complexo que isso, e também lembrava um pouco uma suástica.

Essa era uma figura que ilustrava os "mestres" daquela suposta seita. Cada um vestia uma cor diferente, e eu saberia o nome de todos eles se pudesse manter a memória do sonho por completo, pois seus nomes completos apareciam sob eles.

Então minha mãe, sempre irritada, começou a discutir comigo dizendo que eu estava errada por acreditar num universo único com começo e fim, pois o que havia, verdadeiramente, era um multiverso.

Eu sabia disso, então para melhor me fazer entender, peguei um lápis e um papel e rabisquei o que simbolizaria um universo finito - uma linha reta, contínua, com início e fim. E depois, rabisquei o que simbolizaria o multiverso - um círculo, com vários outros círculos concêntricos, explicando em voz alta que o círculo não tinha início nem fim, e além disso, continha em si infinitos outros círculos.

Enquanto discutíamos, olhei pela janela do quarto e vi algo diferente no céu escuro. Era uma galáxia dourada, em movimento ascendente. Surpresa, fui até a janela, chamando minha mãe para ver também, e eis que a paisagem que vimos não era da nossa usual vizinhança, mas uma outra... Na penumbra, toda em tons de roxo, havia construções nunca vistas em nenhum lugar do planeta. Eram torres arredondadas e orgânicas, em andares sobrepostos como castelos ou pirâmides, pontilhadas de pontos luminosos. A disposição das construções mimetizava a paisagem urbana que conhecemos da janela de nossa casa, mas era totalmente diferente e alienígena.
Logicamente o que eu tentei ilustrar aqui não tem quase nada a ver com o que eu realmente vi no sonho. Parafraseando Tenacious D... "This is just a tribute".

E ao invés de pessoas, o que havia era criaturas negras como sombras, em forma de gota, com olhos brilhantes, se movimentando freneticamente para todos os lados sobre aquelas construções, como num formigueiro. Eu sabia que aquilo tudo era "outra versão" do nosso mundo, num universo paralelo. Mas era algo tão alienígena, tão completamente diferente de tudo que sabemos ou imaginamos, que eu comecei a sentir pânico ao imaginar como seria o contato com uma daquelas criaturas. Eu sabia que elas eram inteligentes, mas podia ser uma inteligência totalmente... surreal para nós.
Para meu alívio, voltamos ao nosso mundo, e a paisagem da janela voltou a ser a velha conhecida.

E é esse tipo de sonho que me atormenta na maioria das noites, obrigada pela atenção.

domingo, 4 de outubro de 2009

Encantamento

Uma vela acesa.
Acaricio a chama, passando nela os dedos por tempo suficiente para sentir sua textura macia, sedosa, e para manchar minha pele de fuligem. Mas não para queimar-me. Sua luz permite-me ver a transparência de mim mesma, iluminada por dentro em vermelho.
Uma música que é quase silêncio. Que são as vozes suaves e as cordas da harpa, que nos colocam em contato com um silêncio interno dançante, musical, gracioso, espacial. A cada vez que uma corda da harpa é beliscada, um lampejo de estrela, numa suave galáxia rodopiante. Cintilações do espírito.
Um encantamento, que é cantar um feitiço com a voz da alma. Macia, dançarina, leveza na brisa de éter que leva sua mensagem. Um desejo que rodopia no ar denso da noite, perturbando a escuridão como se perturba as águas de um lago sereno. Criando ondas no espaço.

As estrelas suspiram, todas, por um instante.

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