sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Penas Mágicas

"Os Xamãs costumam guardar penas que são colhidas ao longo do tempo e quando sentem que é o momento, escolhem uma pena e dormem com ela. Fazem e evocação da energia do animal, colocam o intento de se projetar junto com ele, para que o animal possa mostrar neste Vôo Xamânico um determinado o caminho necessário e desejado naquele instante, para obter ensinamentos."

(Vitor Hugo França)

Junto penas onde quer que eu vá. Em viagens, passeios, em parques ou nas ruas da cidade, em todo lugar pode-se encontrar uma pena de pássaro. Tenho guardadas incontáveis penas, de todos os tamanhos, formas e cores, e acho que são minha coisa favorita de se colecionar.

Gosto especialmente das iridescentes e sempre sinto como se tivesse recebido um presente mágico quando encontro alguma pena com iridescência. E esses dias realmente aconteceu uma magia!
Eu estava olhando algumas fotos guardadas e me deparei com uma foto de uma pena de magpie ("pega-rabuda" em português... sim, pois é) que eu tinha salvo. Era linda, iridescente e colorida, uma pena da cauda, e eu quis muito ter uma pena daquela. Até fui procurar na internet pra comprar, mas só encontrei penas provenientes de caça, apesar de ser regulamentada, não queria penas com essa proveniência. Então deixei pra lá.

Uns dias antes, a Giovana, que já havia me enviado de presente algumas penas de pombos que ela recolheu em Dublin, disse que estava com algumas penas novas que tinha pego por lá, numa época diferente do ano, portanto penas diferentes, e perguntou se eu queria... Penas nunca são demais, então aceitei! Eis que quando o envelope chega e eu abro... ela casualmente dizia na cartinha que algumas das penas provavelmente eram de magpie. E dentre as penas havia uma pena da cauda do magpie, como a que eu havia visto na foto e desejado! Foi como mágica acontecendo, se materializando na minha frente. Sou muito grata pelo presente, tanto da Giovana quanto da sincronicidade do Universo, hehe! ♥

Ela mandou esse versinho tradicional que diz que dependendo do número de magpies que você vê juntas, pode ser sinal de boa ou má sorte!
A pena mágica de magpie...
A magpie (chamo pelo nome em inglês porque é muito esquisito falar "pega-rabuda" hahaha) é um pássaro cercado de lendas. Na Europa ela é vista como um sinal de mau agouro; no folclore italiano e francês, acredita-se que magpies se sintam atraídas por objetos brilhantes e pedras preciosas, que roubam para enfeitar seus ninhos. Na Suécia é associada à bruxaria. Na Noruega acredita-se que é um pássaro ladrão, e também é associado a seres feéricos do folclore local.


Li há um tempo um livro chamado Penas Sagradas, de Maril Crabtree. Trata-se de uma coletânea de depoimentos de pessoas que tiveram alguma experiência mágica com penas, bem como meditações e rituais envolvendo penas. Lembrei-me desse livro ao escrever este post, e folheando, abri bem num texto com o título "Peça e lhe será dado", em que a autora conta que a bordo de um pesqueiro, quando algumas fragatas sobrevoaram o local, ela olhou pra cima e pediu-lhes que se uma delas tivesse uma pena para dar a ela, ela ficaria grata. E uma das fragatas desceu, puxou uma enorme pena preta e soltou-a, deixando-a cair rodopiante no barco sob os olhos atônitos das pessoas presentes...


É um pedido atendido de forma um tanto mais óbvia e imediata, mas penso que a forma como a pena de magpie chegou a minhas mãos também carrega essa mensagem: peça e lhe será dado... sempre tem "alguém" nos ouvindo.

Estas são penas de cauda de galo que comprei numa loja de antiguidades e cacarecos (a menorzinha eu não sei se é de galo, mas ganhei de presente do dono da loja):


E estas são penas grandes que eu encontrei andando pelo mato durante o Festival Sulamericano dos Sagrados Saberes Femininos... duas delas também tem um pouco de iridescência, e não sei a que pássaro pertencem:


Penas têm simbolizado, ao longo da história, diferentes coisas em diversas culturas, geralmente estando relacionadas à comunicação com planos divinos, deuses e espíritos celestiais. Diz-se que encontrar uma pena sempre traz uma mensagem espiritual, e pode ser algo simples ou profundo; pode ser uma resposta a alguma questão que você esteja vivenciando, ou um simples lembrete do seu caminho espiritual ou uma bênção de seus guardiães. As cores das penas também possuem significado:

Branca: purificação, espiritualidade, paz, proteção, bênçãos lunares.
Vermelha: vitalidade, saúde, coragem, fortuna, força.
Vermelha e verde: sorte e assistência em assuntos financeiros. 
Laranja: criatividade, mudança, otimismo, sucesso.
Amarela: alegria, mente alerta, prosperidade, bênçãos solares.
Verde: cura, saúde, renovação, crescimento, prosperidade e fertilidade.
Azul: consciência alerta, inspiração, habilidades mentais, conhecimento, conexão com espíritos, proteção.
Rosa: amor, gentileza, empatia, harmonia.
Cinza: paz, neutralidade, flexibilidade. 
Marrom: estabilidade, dignidade, equilíbrio, energias da terra.
Marrom e preta: equilíbrio entre os planos físico e espiritual.
Marrom e branca: felicidade, protege contra aqueles que podem causar mal.
Preta: iniciação espiritual, proteção contra negatividades, sabedoria mística, morte (no sentido de fechamento de um capítulo, transição).
Preta e branca: proteção, união.
Iridescente: insight místico, transcendência, espiritualidade profunda.

Mas não é preciso prender-se racionalmente a esses significados; como todos os símbolos e sinais que surgem em nosso caminho, a interpretação pessoal e intuitiva é mais importante do que o conhecimento racional.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Festival Sul Americano dos Sagrados Saberes Femininos

Semana passada estive no 1º Festival Sul Americano dos Sagrados Saberes Femininos e posso dizer que foi uma experiência e tanto. Acho que eu não conseguiria dar nenhuma descrição muito objetiva do evento, porque além de já "normalmente" viver muito dentro do meu mundo particular, estou num momento muito específico em que minha consciência, observadora de mim mesma e do mundo, parece pairar suspensa no espaço... E é muito difícil descrever qualquer coisa, nesse mundo de coisas-sem-nome-nem-forma. Então enquanto estive lá eu só vivia o momento, sem buscar interpretações ou racionalizações, e só mais tarde as percepções se assentariam na minha mente.

Cerimônia maia com as abuelas da Guatemala, fotografia por Leticia Ribas.

O Festival foi um encontro com a presença de abuelas da América Latina, anciãs indígenas, líderes espirituais femininas, as chamadas mulheres-medicina, xamãs e afins, com cerimônias com plantas de poder, terapias, yoga, danças, celebrações, círculos de mulheres para troca de saberes, temazcais, tudo isso numa pousada chamada Tempero da Serra, na região de Piraquara, em Curitiba, PR.

Foi uma experiência muito diferente de tudo que já vivi pois até então eu nunca tinha tido contato com esse tipo de sabedoria dos povos da américa latina. Conheci mulheres maravilhosas, que compartilharam suas histórias de força, superação, renascimento, cura, seus saberes, seus cantos. Nenhuma força bruta se compara com essa força magnífica das mulheres, esse poder verdadeiramente mágico de transformação.

Fotografia por Leticia Ribas.

Foi também a primeira vez que tive várias experiências, como o temazcal, e certas plantas de poder - e no caso destas não posso dizer que foram boas experiências, pois elas me fizeram passar por uma maratona de muitas horas de mal estar! Mas ainda assim, experiências válidas para o auto conhecimento.

Foram oportunidades para gerar muitas reflexões: por exemplo, sobre como saber a diferença entre limites de nosso corpo e essência que devem ser respeitados, e travas e medos que devem ser superados. Concluí, por exemplo, que realmente não me harmonizo bem com o tabaco! Mas fico pensando: será que o mal estar que me causa é por eu não ter, essencialmente, uma afinidade com a erva, ou por alguma deficiência minha de elementos que ela representa e que precisam ser harmonizados?

Pessoalmente, acredito num caminho de suavidade; não creio que precisamos nos forçar a atravessar desconfortos como se tudo que nos fosse desconfortável fosse na verdade algo necessário, afinal, o desconforto e o sofrimento também são sinalizações naturais de que aquilo não está a nos fazer bem. No entanto - e voltamos à reflexão inicial - muitas vezes precisamos atravessar o desconforto para nos retirarmos de uma situação de inércia, em que nos acomodamos numa mesmice sem desafios nem crescimento. E remédios costumam ter gosto ruim... Creio que é aí que precisamos aprender a ouvir a sabedoria do coração e seguir o fluxo natural - "ser como a água", como diria Bruce Lee -, sem nos tratarmos com força violenta desnecessária, mas também não permitindo que nossa água fique parada, e sim percorra o caminho com graciosidade através dos obstáculos.

A tenda do Temazcal, fotografia por Renaclo Filho.


(Mas também fica um importante ensinamento que nos foi dito durante o calor escaldante do temazcal: a dor e o sofrimento são maravilhosos portais...)

Também me gerou reflexão a questão do Sagrado Feminino - como feminista, considero essencial a crítica dos gêneros, mas no meio espiritual/mágico isso também pode se tornar um tanto confuso. O que é o Sagrado Feminino? E qual o papel das mulheres dentro disto? Na nossa cultura, o sexo feminino é mantido em submissão através da imposição do papel social de gênero, em que tudo que é atribuído às mulheres é visto como inferior e ao mesmo tempo serve para mantê-las na situação de subserviência: enquanto os homens dominam o mundo através da força bruta e sua posição dominadora, e as características vistas como "masculinas" - força, agressividade, liderança - são tidas como "naturais" dos homens, conceitos como delicadeza, maternidade, mansidão são impostos sobre mulheres para retirar-lhes a força e a autonomia, numa atribuição também culturalmente tida como "natural" das mulheres. No entanto, todas essas coisas também são celebradas no Sagrado Feminino. E eu acredito que de fato precisam ser valorizadas e celebradas, pois falta muita delicadeza neste mundo tomado por valores patriarcais, machistas, exploratórios, brutais. No entanto, como libertar as mulheres do papel de gênero e ao mesmo tempo valorizar essas coisas tão essenciais mas que, em desequilíbrio, são utilizadas como armas contra elas? Como trabalhar esses valores sem reforçar a ideia de que "é assim que mulheres devem ser porque são mulheres"? Mas isto é assunto extenso que provavelmente deixarei para futuros posts.

* * * *
E como não poderia evitar de ser, várias vezes "escapei" do festival em si para adentrar as matas dos arredores, em busca de cogumelos e bichinhos pra fotografar:



domingo, 30 de novembro de 2014

Da dualidade vem a trindade

Por motivos de instabilidade (minha única constante), eu não terminei o Inktober. Mas pelo menos nos poucos dias que fiz pude fazer umas experiências interessantes usando técnicas que até hoje havia utilizado muito pouco. Me inspirei em ilustrações alquímicas pra fazer os desenhos abaixo, em nanquim (caneta e aguada).


São desenhos que fiz no sketchbook, portanto em tamanho pequeno, então ainda gostaria de refazê-los em tamanho maior e com mais dedicação.

* * * *

Ah! Fui incluída dentre outros artistas neste post do blog Estatuária, e eu me senti muito feliz com a forma como ela descreveu minha arte! ♥

Eu geralmente não consigo descrever minha arte, coisa que até me incomoda fazer pois parece que se faço algo que utiliza linguagem visual e depois tento expressar ou explicar aquilo por palavras, acontece um conflito, uma limitação, é fazer algo muito extenso caber numa caixa muito pequena. Eu quase nunca penso em significados ou explicações completas para o que faço porque eu mesma não sei, prefiro deixar que tudo aconteça intuitivamente. Mas com frequência, outras pessoas e amigos compartilham comigo o que vêem no que faço e eu descubro interpretações que eu mesma não sabia que estavam ali. E acho isso maravilhoso.

sábado, 11 de outubro de 2014

Demônios

Eu quase não desenho figuras masculinas porque não é algo com que eu consiga facilmente me identificar. Mas em algumas ocasiões elas aparecem:



Em geral quase todos os meus desenhos são aspectos de mim mesma que estou tentando expressar ou com que estou tentando lidar. Reparei que geralmente as poucas figuras masculinas que desenho são demônios.

Acredito que temos forças chamadas "femininas" e "masculinas" dentro de nós. Jung fala de animus e anima. Na verdade não gosto de usar as palavras "feminino e masculino" nesse contexto porque na nossa cultura elas são muito confundidas com homem e mulher, concepção com a qual não concordo, mas estes acabam sendo os símbolos aos quais recorremos para expressá-las: de alguma forma há aspectos "masculinos" dentro de mim que expresso na forma de homens-demônios. Eles nunca são maus. Eles falam de raiva, rancor, luxúria, amargor, caos, dor, poder obscuro, forças do submundo interior. Alguns estão feridos e em busca de acalento e perdão.

De qualquer forma, eu sempre preciso estar numa estado de espírito específico pra sentir vontade de desenhar homens-demônios. É um contato com forças interiores diferentes das mulheres que costumo desenhar.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Inktober!

Fiquei sabendo deste desafio chamado Inktober, proposto pelo artista Jake Parker. O desafio é fazer um desenho em tinta por dia, durante todo o mês de Outubro. Aí, você deve postar em sua rede social com a hashtag #inktober. E é isso!
A única regra é utilizar algum tipo de tinta, como nanquim, aquarela, caneta, etc. Fora isso, a temática e a criação são livres!

Eu comecei um dia atrasada, então ainda quero fazer um desenho a mais em algum dia para compensar o primeiro. Mas estes são meus desenhos até agora:

 
#1 Uma mulher-mandrágora. Em nanquim, rabiscadinha com grafite.

#2 Um cogumelo Amanita em aquarela.

#3 Mais cogumelos em aquarela.

#4 Mulher coruja, em nanquim e guache dourado.
#5 Menina pássaro, ou harpia, em nanquim e caneta dourada.

Mas não tem sido fácil fazer um desenho todo dia! E muitas vezes, os desenhos que tentei fazer inicialmente não deram certo, estraguei ou não fiquei feliz com eles, e acabei fazendo outro. Foi o caso dos dois desenhos de cogumelos, hehe! E é possível que alguns eu queira refazer depois, como a Mulher Coruja, pois cometi alguns erros e coisas que gostaria de melhorar.

Mas é este o objetivo, praticar todos os dias e se aprimorar. Fazer desenhos em nanquim, por exemplo, pra mim não é muito fácil, pois não é uma técnica à qual eu esteja acostumada. Acho que gosto mesmo é do grafite, hehe! Mas quero praticar, quem sabe adquiro mais familiaridade e me afeiçoo à técnica.

E vamos lá! Ainda faltam 26 desenhos até o final do mês, hehe!
Eu geralmente vou postando todos na minha página do facebook, pra quem quiser acompanhar:
https://www.facebook.com/artofcarolinejamhour

Vocês podem clicar na hashtag #inktober lá no facebook, e também no twitter, para ver trabalhos de outros artistas que também estão participando do desafio! =)

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Paciência

Às vezes estamos atravessando tempestades ou florestas noturnas dentro de nossas paisagens internas. Exteriorizei alguns pequenos sortilégios em forma de desenhos no meu sketchbook.

Baba Yaga deu a Vasilisa um crânio numa estaca, de dentro do qual saía uma luz fantasmagórica, para iluminar seu caminho de volta pela floresta escura. Essa mesma luz transformou-se em fogo que incinerou sua madrasta e irmã más que lhe queriam o mal, quando Vasilisa voltou para casa.


E durante tempestades que parecem infindáveis, há de se ter paciência. Não há água infinita no céu, os ventos e tornados uma hora cessam, e essa é a natureza das coisas.
A vela preta esgota o mal. Sua chama brilha firme mesmo em meio ao vendaval. Quando termina de queimar, está findado o sofrimento.


segunda-feira, 14 de julho de 2014

Sobre bruxas e beleza


Uma coisa que me incomoda é ver bruxaria sendo hiperexplorada como fetiche ou um lance de moda e estética em ensaios fotográficos. Não por isso, eu até curto umas fotos bonitas com essa temática, acho artística, criativa e até magicamente inspirador, mas acho que o que mais me incomoda é que parece que só moças jovens, magras e brancas são usadas como representações de "bruxas". Sim, tumblr, eu estou falando de você!

Que padrões de beleza têm efeitos devastadores em mulheres não é nenhuma novidade. Acho que todas nós crescemos, em algum grau, atribuindo nosso valor pessoal à nossa aparência e beleza física. Muito disso é a fonte de nossas depressões, inseguranças, medos e sentimento de impotência e vulnerabilidade. Sempre vendo nosso corpo como inimigo, como fonte de sofrimento.

A imposição de padrões de beleza sobre a população feminina tem muito a ver com o controle e domesticação de nosso poder. Uma população feminina ligeiramente enlouquecida com a obsessão por beleza e magreza é mais frágil e controlável. É uma prisão invisível que suga nossas forças, nossa alegria, nossa vida. Estamos sempre preocupadas com sermos bonitas, com fazer a manutenção diária desta beleza, gastando nosso tempo, energia e dinheiro, muitas vezes tornando-nos doentes por conta disto (desenvolvendo transtornos alimentares, depressão, obsessão por dietas). A maioria das mulheres está o tempo todo preocupada, de alguma forma, com sua aparência, seu peso, sua juventude, quase dedicando suas vidas a permanecerem "belas". E essa é uma forma de controle efetiva e cruel. Enquanto estamos nos extenuando com essas questões, durante toda a vida, deixamos de exercer nossa criatividade, de nos relacionarmos saudavelmente, de explorarmos nossos prazeres, de realizarmos nossos projetos seja lá quais forem, de vivermos plenamente. O que estamos sacrificando por isso?

E o que isso tem a ver com bruxaria? Muito. Historicamente o poder feminino é temido, e a opressão sobre mulheres vem paralelamente à devastação e dominação da natureza. As bruxas foram queimadas por serem mulheres e por serem vistas como uma ameaça a um poder supremo, que deveria ser eliminada. Bruxas são mulheres inadequadas, vivas, desafiadoras do poder patriarcal. Bruxaria tem a ver com nos sentirmos confortáveis em nossos corpos, que comungam com os elementos, são fontes de prazer, instrumentos de nossas artes, através dos quais nos manifestamos neste mundo e experienciamos a existência. Como os outros animais, que não se importam com como parecem, apenas vivem em seus corpos e são o que são. Bruxaria é sobre nossa natureza selvagem, sobre liberdade, sobre alegria, comunhão com a natureza como parte de nós e não como algo alheio a nós a ser dominado e controlado. Bruxas não têm o dever de serem bibelôs, lindas ou agradáveis a olhares alheios (que não sabem reconhecer a beleza no que é indomesticado). Mulher alguma tem. Mulher alguma deve beleza ao mundo. Se nos enfeitarmos que não seja por medo ou subordinação, e sim por diversão e para expressarmos nossas personalidades. Que cuidemos de nossos corpos por carinho e não por penitência.

É claro que não é fácil se libertar dessas amarras que nos foram impostas, e talvez seja um trabalho de uma vida inteira. Mas acredito que é a direção certa a seguir se quisermos entrar em contato com nossa própria fonte de poder e alegria inesgotáveis.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Arco-írises

Arco-íris é definitivamente uma magia condensada no mundo natural. Uma magia enxergável, que você absorve com os olhos e sorve com a alma e te ilumina e colore por dentro.

Tinha duas coisas pelo que eu era fascinada quando criança: cristais e arco-íris. Melhor ainda se estivessem juntos. Acho que já falei disso outras vezes... a iridescência nas pequenas asas de insetos, ou minúsculos arco-íris dentro de cristais de quartzo.

Uma vez um Exu Caveira me falou que eu gosto de usar preto por fora, mas por dentro eu tinha um arco-íris no coração, e era dele que eu devia extrair minha força.
Foi uma das coisas mais bonitas e importantes que já me disseram.

Ver um arco-íris se formar no céu sempre me passa um sentimento de que, apesar de tudo, está tudo bem. De que existe beleza no mundo. As cores acariciam a alma, doces, suaves e alegres.

Andei fazendo alguns arco-íris com aquarela. É delicioso.

Descobri tarde demais que o papel que utilizei pra esse desenho não era adequado pra aquarela, pois absorvia a água rápido demais, por isso as cores não se mesclaram muito bem!

Esse já é antiguinho, mas eu não lembro de ter postado aqui no blog antes, e já que tem arco-íris resolvi incluir. =)

Fotografei da minha janela.

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