segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Paciência

Às vezes estamos atravessando tempestades ou florestas noturnas dentro de nossas paisagens internas. Exteriorizei alguns pequenos sortilégios em forma de desenhos no meu sketchbook.

Baba Yaga deu a Vasilisa um crânio numa estaca, de dentro do qual saía uma luz fantasmagórica, para iluminar seu caminho de volta pela floresta escura. Essa mesma luz transformou-se em fogo que incinerou sua madrasta e irmã más que lhe queriam o mal, quando Vasilisa voltou para casa.


E durante tempestades que parecem infindáveis, há de se ter paciência. Não há água infinita no céu, os ventos e tornados uma hora cessam, e essa é a natureza das coisas.
A vela preta esgota o mal. Sua chama brilha firme mesmo em meio ao vendaval. Quando termina de queimar, está findado o sofrimento.


segunda-feira, 14 de julho de 2014

Sobre bruxas e beleza


Uma coisa que me incomoda é ver bruxaria sendo hiperexplorada como fetiche ou um lance de moda e estética em ensaios fotográficos. Não por isso, eu até curto umas fotos bonitas com essa temática, acho artística, criativa e até magicamente inspirador, mas acho que o que mais me incomoda é que parece que só moças jovens, magras e brancas são usadas como representações de "bruxas". Sim, tumblr, eu estou falando de você!

Que padrões de beleza têm efeitos devastadores em mulheres não é nenhuma novidade. Acho que todas nós crescemos, em algum grau, atribuindo nosso valor pessoal à nossa aparência e beleza física. Muito disso é a fonte de nossas depressões, inseguranças, medos e sentimento de impotência e vulnerabilidade. Sempre vendo nosso corpo como inimigo, como fonte de sofrimento.

A imposição de padrões de beleza sobre a população feminina tem muito a ver com o controle e domesticação de nosso poder. Uma população feminina ligeiramente enlouquecida com a obsessão por beleza e magreza é mais frágil e controlável. É uma prisão invisível que suga nossas forças, nossa alegria, nossa vida. Estamos sempre preocupadas com sermos bonitas, com fazer a manutenção diária desta beleza, gastando nosso tempo, energia e dinheiro, muitas vezes tornando-nos doentes por conta disto (desenvolvendo transtornos alimentares, depressão, obsessão por dietas). A maioria das mulheres está o tempo todo preocupada, de alguma forma, com sua aparência, seu peso, sua juventude, quase dedicando suas vidas a permanecerem "belas". E essa é uma forma de controle efetiva e cruel. Enquanto estamos nos extenuando com essas questões, durante toda a vida, deixamos de exercer nossa criatividade, de nos relacionarmos saudavelmente, de explorarmos nossos prazeres, de realizarmos nossos projetos seja lá quais forem, de vivermos plenamente. O que estamos sacrificando por isso?

E o que isso tem a ver com bruxaria? Muito. Historicamente o poder feminino é temido, e a opressão sobre mulheres vem paralelamente à devastação e dominação da natureza. As bruxas foram queimadas por serem mulheres e por serem vistas como uma ameaça a um poder supremo, que deveria ser eliminada. Bruxas são mulheres inadequadas, vivas, desafiadoras do poder patriarcal. Bruxaria tem a ver com nos sentirmos confortáveis em nossos corpos, que comungam com os elementos, são fontes de prazer, instrumentos de nossas artes, através dos quais nos manifestamos neste mundo e experienciamos a existência. Como os outros animais, que não se importam com como parecem, apenas vivem em seus corpos e são o que são. Bruxaria é sobre nossa natureza selvagem, sobre liberdade, sobre alegria, comunhão com a natureza como parte de nós e não como algo alheio a nós a ser dominado e controlado. Bruxas não têm o dever de serem bibelôs, lindas ou agradáveis a olhares alheios (que não sabem reconhecer a beleza no que é indomesticado). Mulher alguma tem. Mulher alguma deve beleza ao mundo. Se nos enfeitarmos que não seja por medo ou subordinação, e sim por diversão e para expressarmos nossas personalidades. Que cuidemos de nossos corpos por carinho e não por penitência.

É claro que não é fácil se libertar dessas amarras que nos foram impostas, e talvez seja um trabalho de uma vida inteira. Mas acredito que é a direção certa a seguir se quisermos entrar em contato com nossa própria fonte de poder e alegria inesgotáveis.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Arco-írises

Arco-íris é definitivamente uma magia condensada no mundo natural. Uma magia enxergável, que você absorve com os olhos e sorve com a alma e te ilumina e colore por dentro.

Tinha duas coisas pelo que eu era fascinada quando criança: cristais e arco-íris. Melhor ainda se estivessem juntos. Acho que já falei disso outras vezes... a iridescência nas pequenas asas de insetos, ou minúsculos arco-íris dentro de cristais de quartzo.

Uma vez um Exu Caveira me falou que eu gosto de usar preto por fora, mas por dentro eu tinha um arco-íris no coração, e era dele que eu devia extrair minha força.
Foi uma das coisas mais bonitas e importantes que já me disseram.

Ver um arco-íris se formar no céu sempre me passa um sentimento de que, apesar de tudo, está tudo bem. De que existe beleza no mundo. As cores acariciam a alma, doces, suaves e alegres.

Andei fazendo alguns arco-íris com aquarela. É delicioso.

Descobri tarde demais que o papel que utilizei pra esse desenho não era adequado pra aquarela, pois absorvia a água rápido demais, por isso as cores não se mesclaram muito bem!

Esse já é antiguinho, mas eu não lembro de ter postado aqui no blog antes, e já que tem arco-íris resolvi incluir. =)

Fotografei da minha janela.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Sempre grávida demais

Desenhos do sketchbook:

Quando desenhei isto, tinha em minha mente: "desenhar para encontrar a mim mesma". Acho que foi um daqueles momentos em que o desenho é mais uma meditação, em que através das formas criadas, recompomos partes danificadas de nosso próprio espírito. Ou reconhecemos tais partes, que até então estiveram obscuras, à medida que as exploramos, usando o lápis e as tintas como tato e lanterna.
Arte é magia e toda criação se torna uma impressão carimbada da alma do artista.


Na verdade, acho que todo desenho que faço acaba sendo uma forma de meditação, de explorar meu ambiente interior. Nem sempre é fácil. Às vezes dentro destes ambientes encontro vários obstáculos, confronto frustrações, criaturas que doem para nascer. E é um trabalho que nunca acaba, este de dar à luz, pois o universo lá dentro é grande demais.

terça-feira, 18 de março de 2014

Mariposa Atlas e suas amigas

Da viagem que fiz no feriado trouxe algumas lembrancinhas da natureza que encontrei tanto no mato quanto na cidade.


Aqui o destaque é pra esta mariposona do centro, que foi a maior surpresa: eu encontrei na entrada de um shopping! É um verdadeiro tesouro, mesmo estando com as asas um pouco danificadas. Mas o mais supreendente é que, segundo pesquisei, esta se trata de uma mariposa Attacus atlas, e segundo a Wikipedia, ela deveria ser encontrada somente na Ásia e além disso, supostamente, é rara. No entanto, já ouvi de 2 amigas diferentes que disseram ter visto (e fotografado) esta mariposa por aqui...

A mariposa Atlas é considerada a maior do mundo (pelo menos em termos de área total das asas, pois em se tratando de envergadura, ela é superada pela mariposa-imperador), com envergadura de 25-30 cm. Só que esta que eu encontrei tem apenas 16 cm de envergadura... Será que existe uma variação tão grande no tamanho dos espécimes? Eu achava que borboletas e mariposas de uma mesma espécie sempre teriam mais ou menos o mesmo tamanho... vai entender!

A mariposinha que parece folha seca, na parte de baixo da foto, eu não pesquisei qual é, mas também encontrei no shopping (estava um verdadeiro cemitério de mariposas por lá) - juntamente com as marronzinhas e aquelas pequeninas e brancas, que têm asas peroladas e um rabicho de vassoura. Tirei fotos em close destas porque gosto muito de coisas furta-cor:

A borboleta amarela, a vespa enorme e aquele capacete de besouro encontrei em trilhas no mato, juntamente com a pena, que é preta-amarronzada com sutis reflexos azulados.

Onde estive (que era numa área de camping em Analândia - SP, pra quem estiver curioso!) também havia muitas daquelas borboletas Morpho, que são azuis por cima e marronzinhas com "olhinhos" embaixo. Eram enormes e era lindo vê-las flutuando por lá, com o azul metálico brilhando ao sol. Não sei exatamente de que espécie eram, e infelizmente só consegui fotografar uma que estava pousada, com as asas fechadas:


(é claro que varri toda a área com os olhos em busca de uma destas morta pra eu poder trazer comigo, mas não foi desta vez...)

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Bichinhos do Jardim Botânico

No final do ano passado eu estava indo várias vezes ao parque pra caminhar e tirar fotos. Fotografei vários bichinhos que ainda não tinha postado aqui. Numa dessas vezes, uma moça que me viu tirando as fotos até me perguntou onde eu postaria, dei o endereço do meu blog. Não sei se ela chegou a visitar, mas se visitou, deve ter ficado desapontada por eu ainda não ter postado as fotos que tirei dos bichinhos daquele dia, hahaha, então aí vão eles:



Gralha-picaça! Adoro a carinha dela.

Filhotes de quero-quero.

Besouro gorgulho.

Borboletinha na verbena.



Cotia!

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Harvest

Pintura digital nova!


Tava com vontade de pintar um capeto vermelho fazia um tempo. Comecei durante o período de Escorpião, hehehe... Mas só terminei agora.

Em certo estágio o fundo tava totalmente diferente:


Eu tinha me inspirado, pro desenho do halo, numa pintura renascentista do menino Jesus, só que versão neon. Apesar de ter gostado do design, achei que não combinou muito bem com o desenho, então guardei pra usar em alguma outra oportunidade.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Sketching

 

Tenho feito uns rabiscos =) Ambos foram feitos no sketchbook, com um pouquinho de alteração digital. Eu tô feliz por ter voltado a desenhar com grafite, coisa que fazia um bom tempo que não fazia. Sinto que preciso estudar muita anatomia, luz e sombra, e efeitos com o grafite em geral. Mas também tenho tentado encontrar aquela fluidez em desenhar com sentimento e com prazer, permitindo-me me divertir, sem racionalizar e travar demais. E também entrar em contato com minha simbologia pessoal.

Os desenhos sem edição!
Os desenhos do sketchbook são mais descompromissados, mas qualquer hora vou tentar fazer desenhos a grafite mais bem finalizados.

Outro dia eu até comprei um sketchbook novo na papelaria. Achei tão bonitinho, encadernado com capa de tecido. Nem terminei o sketchbook antigo, mas não resisti, hehe! Acho que nunca é demais... Talvez eu carregue ele na mochila por aí, junto com algum material de desenho, pra poder desenhar fora de casa de vez em quando.

O com estampa de flor, embaixo, é o antigo, e foi feito à mão pela minha amiga Jana!
Ah, e teve um ACEO que fiz esses tempos, a partir de um desenho maior que não deu certo, hahaha. Foi esta feiticeira com papoulas nos cabelos. Já foi vendido!


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